Invasão? Chelsea 'leva' estádio a Yokohama e conquista japoneses
Ingleses são adotados por torcida local e devem ter maioria na decisão de domingo. Corintianos, no entanto, já mostraram que cantam mais alto
“Se Maomé não vai a montanha, a montanha vai até Maomé”. O ditado popular não tem muita lógica, é verdade, mas pode ser adaptado para explicar a realidade do Chelsea no Mundial de Clubes. Ao contrário do Corinthians, que está abraçado por milhares de fanáticos vindos do Brasil, os Blues contam com o apoio de poucos torcedores londrinos no Japão. Para não ficar abandonado, o clube apelou para o marketing e “levou” o Stamford Bridge para Yokohama. A estratégia, somada à alta popularidade do elenco na Ásia, deu certo e os ingleses são, indiscutivelmente, os queridinhos do torcedor japonês.
Em ação com o apoio do fornecedor de material esportivo, os Blues montaram um estande na fã zone do Estádio Internacional de Yokohama, palco da decisão de domingo, às 8h30m (de Brasília), contra o Corinthians. O local conta com um grande painel que reproduz as arquibancadas do estádio, seguido dos dizeres: “Bem-vindos ao Stamford Bridge”. Empolgados com a possibilidade de “visitar” o palco londrino, centenas de torcedores lotaram o espaço antes da vitória por 3 a 1 sobre o Monterrey e puderam apreciar ainda uma camisa autografada por todo elenco, com o número 12 e escrito “campeões da Europa”, além de chuteiras de Cech, Lampard e Oscar.
Os torcedores que passam pelo “Stamford Bridge japonês” ainda preenchem um formulário para receberem informações do Chelsea, ganham um chaveiro para pendurar no pescoço de brinde e ainda podem deixar mensagens para os jogadores em um mural. Esta não é a única ação de marketing do clube especialmente para o Mundial de Clubes. Um loja oficial também foi construída na Marinos Town, local de treinamentos dos Blues, e faltando dois dias para decisão tem grande parte dos produtos esgotados.
O sucesso de vendas confirma a “adoção” dos Blues por parte dos japoneses. Se o assédio e o frenesi não são tão grandes quanto o Barcelona em 2011, é evidente a preferência pelos ingleses. No hotel onde a delegação está hospedada, no bairro de Minato Mirai, a vigília por autógrafos e fotos é constante. O contato entre jogadores e torcida, por sua vez, é pequeno, acontece apenas no trajeto entre o saguão e o ônibus para treinamentos e jogos.
Chama a atenção o fascínio dos japoneses por Fernando Torres, o mais procurado. Ainda pouco badalado no Brasil, o belga Hazard também está entre os preferidos, em lista que conta ainda com Oscar e “Daviro Ruiz” (David Luiz na pronúncia dos japoneses). Jogador mais antigo do elenco, Frank Lampard não fica atrás e foi o mais ovacionado na partida contra o Monterrey. De volta ao time após dois meses, por conta de uma lesão na coxa, o camisa 8 foi muito aplaudido ainda no primeiro tempo, quando iniciou aquecimento.
O duelo diante dos mexicanos mostrou a força da torcida do Chelsea no Japão. Apesar de poucos – e barulhentos – ingleses presentes, o estádio estava quase todo vestido de azul. Os corintianos, por sua vez, deixaram claro que, por mais que os Blues possam ser maioria, ninguém cantará mais alto que os brasileiros. Enquanto os japoneses torcem resumidamente com gritos de “Ohhhhhh”em lances técnicos ou de perigo, a Fiel fez ecoar mais alto o som de “Timão, eô!” e “Aqui tem um bando de loucos”.
Fonte: Globo
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