Empresários aprovam mão 'intervencionista' de Dilma através do pibinho
Economistas e o mercado financeiro, de modo geral, têm reclamado da mão intervencionista
do governo Dilma. Seja ao não autorizar o aumento dos combustíveis
que reflete no preço das ações da Petrobras, seja forçando os bancos a baixar juros
ou a redução na conta de luz, por meio da MP 579, e na consequente queda das ações das elétricas
.
As críticas, no entanto, não são unanimidade. Empresários ouvidos pelo iG
no fim do ano acreditam que elas são mais positivas do que negativas e
estimularão a economia no longo prazo. “O governo fez um bom papel [em
2012], fez a parte dele", diz Marco Stefanini, presidente da empresa de
tecnologia da informação Stefanini, que faturou quase R$ 2 bilhões em 2012
. "É a primeira vez que vejo um governo brasileiro trabalhando na redução de impostos e do Custo Brasil”. Assista:
A área em que Stefanini atua foi beneficiada pela
desoneração em folha, mas ele afirma que, em sua empresa,
particularmente, não houve impacto positivo. Na desoneração em folha, em
vez de a empresa recolher os 20% de INSS sobre o salário de seus
empregados, é descontado 2% do faturamento. Como a receita de sua
empresa é muito alta - quase R$ 2 bilhões - o benefício não foi
percebido.
Veja ainda: "Se a indústria está reclamando das leis trabalhistas, imagine tecnologia"
Na mesma linha, Reinaldo Garcia, presidente executivo da
GE para a América Latina, as mudanças foram como uma moeda com um lado
negativo – que diz respeito ao modo como foram implantadas – e outro
positivo, de redução de custos. “O bom é que acredito que o lado
negativo é passageiro e que as boas consequências de algumas das medidas
adotadas serão duradouras e benéficas”, afirma Garcia.
Apesar de o PIB brasileiro ter crescido em torno de 1% em
2012, a GE cresceu dois dígitos no ano. Seu faturamento em 2011 no País
tinha sido de US$ 3,7 bilhões e, em algumas áreas, como conversão de
energia, a carteira de pedidos foi multiplicada por dez. "A área de
infraestrutura em que trabalhamos é a bola da vez dos investimentos",
diz Garcia.
Também para Antonio Fay, presidente da Brasil Foods, as
medidas terão efeito positivo no decorrer do próximo ano e elas deveriam
se espalhar em todos os setores da economia.
Nem todos os empresários, porém, têm a mesma percepção.
"É sempre muito ruim ter um governo que intervém na economia", afirma
Sergio Habib, presidente da JAC Motors. "Da mesma maneira que ele
intervém para reduzir a conta de luz (e eu não tenho empresa de energia
elétrica) e que fala que banco tem de reduzir taxa de juros porque está
ganhando muito dinheiro (e eu não tenho banco), eles vão chegar para mim
e falar que o carro está muito caro e que tem de taxar preço, vão falar
para os hotéis no Rio que tem de baixar as tarifas, vão falar que a
carne está muito cara e tem de baixar o preço da carne e daqui a pouco
vão botar a polícia atrás de boi no pasto." Ouça um trecho da
entrevista:
Habib afirma que ficou assustado quando Dilma afirmou que
os banqueiros estavam ganhando muito dinheiro no Brasil porque as
medidas de controle podem chegar a quaisquer outras áreas. "É por isso
que o investimento diminui: o espírito animal do empresário está todo
escondidinho em casa", diz ele. "Como é que você vai investir quando
chega alguém ameaçando que você tem de ganhar menos dinheiro?"
Por vender carros importados, a JAC teve estipulada uma
cota de 25 mil carros para serem vendidos com imposto menor, em 2013.
"Só vamos vender o que nossa competência permitir a partir de 2015",
afirma. Para ele, porém, é importante ter regras definidas, como
aconteceu com o InovarAuto e decididas em consenso.
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