Voto vencido de Fux é usado para tentar tirar Feliciano
Os deputados federais que ingressaram com Mandado de Segurança
no Supremo contra a permanência de Marco Feliciano (PSC-SP) na
presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara afirmam que a
natureza jurídica do caso é semelhante à dos vetos presidenciais. Eles
pedem a concessão de liminar para que Feliciano seja afastado da
Comissão. Alvo de protestos por declarações consideradas racistas e
homofóbicas, Feliciano responde a ação penal no Supremo por estelionato e
a inquérito sob a acusação de discriminação.
Em documento enviado
ao relator, ministro Luiz Fux, os parlamentares dizem haver “uma total
identidade” entre o posicionamento teórico fixado na decisão relativa
aos vetos presidenciais e a contestação a Feliciano. Em dezembro do ano
passado, Fux concedeu liminar na qual determinava que os vetos
presidenciais fossem votados em ordem cronológica. A decisão foi cassada
pelo Plenário do Supremo neste ano.
“Se a análise dos vetos
presidenciais não pode tramitar por uma avaliação ‘aleatória ou
voluntarista’, imaginemos as regras de competência estabelecidas de
acordo com o comando constitucional,” diz o documento, elaborado pelo
escritório Cezar Britto Advogados. Na semana passada, Fux questionou a judicialização de questões parlamentares.
Segundo
os parlamentares, a sessão em que ocorreu a votação de Feliciano foi
convocada de forma ilegal pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo
Alves (PMDB-RN). A sessão foi restrita ao público, o que, para os
deputados, contraria o Regimento Interno da Câmara. Segundo eles, apenas
os membros da Comissão poderiam determinar a restrição, e não o
presidente da Câmara.
Dessa forma, os parlamentares entendem que
Fux deve conceder a liminar, pois ao tratar dos vetos considerou que as
normas regimentais devem ser rigorosamente obedecidas. “Uma vez fixadas
as disposições regimentais, tem-se o dever de estrita e rigorosa
vinculação dos representantes do povo a tais normas que disciplinam o
cotidiano da atividade legiferante”, dissera Fux sobre os vetos,
conforme citado no documento que questiona a eleição de Feliciano.
Ao
comparar questão regimental que envolve os dois casos, os deputados
dizem que a escolha de Feliciano é de gravidade “infinitamente maior”,
pois é o próprio direito ao voto dos parlamentares que teria sido
violado.
Assinam o documento os deputados Jean Wyllys (PSOL-RJ),
Érica Kokay (PT-DF), Luiza Erundina (PSB-SP), Nilmário Miranda (PT-MG),
Domingos Dutra (PT-MA), Padre Ton (Mariton Benedito de Holanda, PT-RO),
Janete Capiberibe (PSB-AP) e Janete Pietá (PT-SP).
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