O papel do advogado criminalista na sociedade
Quantas
vezes você já assistiu algum programa de polícia, ou viu nos jornais,
pessoas sendo presas pelos mais variados tipos de crimes, e ouviu, ou
até mesmo falou a seguinte frase: “E ainda tem gente que defende
bandido”.
A própria sociedade acaba por dividir esse profissional
em dois ramos: Os “defensores de bandidos”, que são vistos como aqueles
que trabalham exclusivamente visando seus honorários, deixando de lado
todos os seus princípios morais e éticos, sendo julgados como se
tivessem praticado o próprio crime por ele defendido; e os “defensores
de inocentes”, que seriam aqueles com a mais alta conduta ilibada,
buscando um ideal de justiça, a paz social, sendo vistos por alguns como
os próprios salvadores da pátria.

Esse
tipo de pensamento é o que passa pela cabeça de muitas pessoas, e
inclusive afirmo, sem pestanejar, que um dia também já passou pela
minha.
Entretanto, faz-se mister destacar que a advocacia
criminalista não é este tipo de ficção narrado acima. Advogado
criminalista não julga seus clientes. O dever de julgar é do juiz.
Advogado criminalista defende, sejam culpados ou inocentes.
A
pessoa que escolhe essa área para atuar deve entender que está ali
defendendo os direitos de seu cliente, e não o do crime pelo qual
cometeu ou está sendo acusado. Infelizmente grande parte da sociedade
não enxerga assim.
O advogado criminal é imprescindível para o
cumprimento da justiça. Quando ele consegue a liberdade de alguém, ou
que uma determinada pena seja reduzida, não se deve entender que ele
está agindo “contra os interesses da sociedade”, pois a concessão do
benefício foi dada única e exclusivamente pela própria lei.
Advogados
criminalistas não são criminosos, não compactuam de forma alguma com o
crime, mas cumprem o seu papel de fiel observância da aplicação da lei. É
claro que, como em todas as profissões, sempre existe a exceção.
Nesta
profissão não avaliamos se o cliente deve ou não ser defendido, apesar
do imaginário popular entender que deve ser feita uma triagem entre
aqueles que possuem direito à defesa, e aqueles que devem ser condenados
e trancafiados nos presídios durante toda a eternidade.
Para exemplificar a visão social sobre essa profissão, transcrevo o que encontrei no site “Revista Forum”, por Túlio Viana:
“A
sociedade não recrimina o médico que cura o criminoso, o professor que
leciona para o criminoso, o ator que entretém o criminoso, o pedreiro
que constrói para o criminoso e o lixeiro que recolhe o lixo do
criminoso. A sociedade não recrimina sequer o padre que ouve a confissão
do criminoso e o perdoa por seus pecados. Mas o advogado, ao prestar
seus serviços de defesa técnica ao criminoso, passa a ser visto quase
como seu cúmplice”.
Todos estamos sujeitos a cometer crimes,
independente de sua proporção. Então porque deve haver uma distinção
entre aqueles que “merecem” ou não “merecem defesa?”
Volto a
destacar: Advogado criminalista não escolhe clientes, pois a lei vale
para todos. Quanto maior a gravidade do crime cometido, maior é o clamor
social para a condenação, e da mesma forma, maior é o ódio contra os
advogados que ali estão, única e exclusivamente para defender seus
clientes e fazer cumprir o que determina a lei.
Advogado não é
pago pelo Estado, portanto não se deve influenciar pelo julgamento
social. Se o cliente necessita de ajuda e está disposto a pagar pelo
serviço, não há qualquer razão para recusá-lo. Ou o médico primeiro
busca saber dos antecedentes de seu cliente para saber se irá tratá-lo
ou não?
Para os estudantes de direito, bacharéis, ou para os
próprios colegas advogados que ainda procuram uma área de
especialização, lanço um desafio: Experimente chegar em sua casa e dizer
que será um criminalista. A partir daí, você já terá uma pequena noção
das dificuldades que o profissional dessa área sofre.
A lei deve ser respeitada e cumprida por todos, sejam culpados ou inocentes, ricos ou pobres, homens ou mulheres.
Termino
por aqui, parabenizando aqueles que atuam nessa área, pois às vezes
temos que lutar contra tudo e contra todos para fazer valer o fiel
cumprimento da lei.

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