Um estudante bocejou durante uma palestra jurídica. Só não esperava a reação inusitada do palestrante
Publicado por Matheus Galvão

Era meu segundo semestre na faculdade e, como todo calouro, eu estava empolgado com o curso. Além disso, como todo estudante de Direito, ficava fascinado com professores e profissionais com carreiras espetaculares.
Foi quando Recebi um panfleto de um um congresso de Direito Constitucional em que muitos autores conhecidos estariam. A empolgação começou. Decidi falar com meus pais - naquela época os meus recursos financeiros eram escassos - e convencê-los sobre a importância de estar presente: conhecimento, pessoas da área, contatos, entretenimento...
Eles concordaram e eu me inscrevi. A empolgação crescia mais ainda, vinha um frio na barriga pelo meu primeiro evento na área. Lá me conectaria com com outros estudantes e profissionais do Direito, abriria portas para um futuro próximo.
Logo viria uma das piores sensações do mundo.
Depois do primeiro dia, um dia intenso de palestras, acordei cedo e parti para o hotel. Sentei na primeira fileira do auditório. Eu me arrependeria disso, mas até então não sabia.
Enquanto um palestrante falava - um dos autores dos livros que eu lia - eu não consegui me conter. Não vou citar nomes é claro, mas a palestra não era lá tão envolvente, assim como 70% das demais.
Os formatos tradicionais de simpósios, congressos e fóruns já não suprem necessidades básicas de inovação e interação com temáticas envolventes e auxiliares da carreira jurídica.
Mas bem, enquanto ele falava eu bocejei! Tive, ainda, a má sorte de ele estar olhando para mim enquanto eu abria a boca e me espreguiçava com vontade. Ele parou, me olhou, ficou em silêncio por um instante e perguntou:
- Ei, você aí bocejando - ele apontou para mim e tornou a situação mais constrangedora -, quer subir aqui e falar um pouco sobre Neoconstitucionalismo? Parece que o que eu sei não é bastante pra você.
Eu, gelado, paralisado como estava, não sei como encontrei força para movimentar a cabeça acenando com um "não".
Já me recuperei do trauma, já retornei às primeiras fileiras. Mas não bocejo mais, afinal sei escolher bem os encontros que participo. Existem propostas diferenciadascom formatos muito mais dinâmicos e agregadores. É fácil encontrar.
Fica também a lição de que é importante ter domínio do conteúdo, mas humildade e didática no transmitir. Eventos que se importem em fazer a diferença pensam sempre nisso.
Uma coisa já sei; onde e quando será meu próximo evento:www.jusbrasil.com.br/conecta
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