Tráfico humano no Pará

Uma paraense foi vítima do crime de tráfico humano e concedeu
entrevista exclusiva à TV Liberal. Ela foi obrigada a se prostituir
durante dois anos em um garimpo na Guiana Francesa. O fato aconteceu há
14 anos.
A mulher prefere não indentificar-se por medo de represálias. A
proposta inicial era sair da capital paraense para mudar de vida, mas
logo descobriu que estava sendo enganada.
"Pensei que ia trabalhar como cozinheira ou no que eu achava que era um
supermercado e chegando lá era para me prostituir. A gente era obrigada
porque a gente tinha que pagar a comida, os remédios, tudo que a gente
consumia lá a gente tinha que pagar, era dessa forma", diz.
Durante toda a entrevista, a mulher se emociona e lembra de detalhes de
quem tentava fugir. "Umas morreram queimadas, outras foram degoladas",
diz.
A novela das 21h da Rede Globo, Salve Jorge, traz o tema para a
discussão. A personagem Morena, vivida pela atriz Nanda Costa, foi
vítima de tráfico de mulheres e levada para a Turquia, onde junto com
outras mulheres trabalhou em um cabaré.
Por meio da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico Humano
vários casos foram desvendados no estado do Pará. 90 pessoas prestaram
depoimento. Depois de um ano e três meses de investigações, a CPI foi
concluída e o relatório foi entregue ao Ministério Público do Estado
(MPE).
Dados do relatório apontam que as principais vítimas são mulheres e
crianças de baixo poder aquisitivo, que são recrutadas por falsas
promessas. O tráfico de pessoas é favorecido no estado devido sua
extensão geográfica, áreas de difícil acesso e falta de fiscalização.
No Brasil, as pessoas são levadas para o estado do Amapá, Pernambuco,
Maranhão e Ceará. Fora do país, os principais destinos são Alemanha,
Suriname e Guiana Francesa.
"A dificuldade da investigação criminal é esse impacto perverso que
existe entre a própria vítima e o aliciador, que se vale da ausência do
estado e das condições econômicas da maioria das vítimas e faz o tráfico
humano, a exploração sexual e outros tipos de exploração que estão no
relatório", diz Odir Viana, promotor de justiça.
Mais de 14 anos depois de fugir do garimpo, a empregada doméstica até
hoje ainda não denunciou o caso à polícia. "Eu tenho medo porque eu não
sei do que eles são capazes.Eles prometem meio mundo, mas na hora não é
nada disso, é só sofrimento, só trauma, é só que eu tenho. Até hoje eu
acordo e ainda acho que estou naquele inferno", diz a mulher explorada.
A Polícia Civil informa que investiga todos os casos que chegam até as
delegacias do estado. As denúncias de tráfico humano podem ser feitas
pelo telefone 3214-8070.
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