Brasil: campeão mundial na violência contra professores
O
Brasil que pegou o caminho errado (estamos falando do Brasil fundado na
“filosofia” de Valesca Popuzuda: “tiro, porrada e bomba”) está levando
os brasileiros a conhecerem as profundezas do inferno descrito por
Dante, na Divina Comédia. Que falta nos faz um estadista com
sentido moral, absolutamente comprometido com sua não reeleição, que
promova mudanças estruturais radicais!
Pesquisa divulgada pela
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econônico (OCDE) apontou
o Brasil como o país com o maior número de casos de violência contra
professores. O estudo, chamado Talis (Teaching and Learning
International Survey), foi baseado em um questionário internacional de
larga escala que focava as condições de trabalho dos professores e da
aprendizagem nas escolas, com o objetivo de formular políticas públicas a
respeito do tema. Foram entrevistados mais de 100 mil professores e
diretores de escolas do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino
médio em 34 países.
A pesquisa revelou que 12,5% dos professores
entrevistados no Brasil disseram ser vítimas de agressões verbais ou de
intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana, ocupando a pior
posição nessa área dentre todos os países pesquisados, que apresentam a
média de 3,4%. Colados no Brasil estão a Estônia (11%) e a Austrália
(9,7%). Coréia do Sul, Malásia e Romênia aprensentaram índice zero de
violência contra os professores. O Brasil, com sua cultura de tolerância
zero, se transformou no campeão mundial em violência contra
professores; a Coreia do Sul tem violência zero. Por que somos tão
diferentes?
Em 1964 o Brasil, por meio de um golpe de estado,
tomava a decisão de mergulhar no inferno da política do “tiro, porrada e
bomba”. Resultado: milhares de desaparecidos, centenas de mortos,
estupros, tortura, exílios, 21 anos de regime militar, perda do poder
aquisitivo do salário mínimo, aumento na concentração de renda e da
desigualdade, freio nas liberdades, escolaridade baixíssima etc. Com a
redemocratização do país (1985), os novos donos do poder se livraram da
vida militarizada, mas a filosofia da violência não saiu de dentro
deles. Resultado: não conseguimos sair do atraso socioeconômico e
educacional: 95º lugar no IDH (computando a desigualdade), campeão
mundial em homicídios (em números absolutos: 57 mil por ano), ¾ da
população são de analfabetos funcionais, taxa de 29 assassinatos para
cada 100 mil pessoas, aqui estão 16 das 50 cidades mais violentas do
planeta, aqui acontecem 11% de todos os assassainatos do mundo etc.
No
mesmo ano (1964) a Coreia do Sul (que tinha renda per capita muito
inferior ao Brasil) tomava a decisão de colocar todo mundo nas escolas
(desde o jardim da infância até às universidades). Aqui, “tiro, porrada e
bomba”; lá, “civilização, conhecimento, tecnologia e cidadania”.
Resultado: lá não existe violência contra os professores, 2/3 da
população têm formação superior, renda per capita 3 vezes maior que a
brasileira, 2 assassinatos para cada 100 mil pessoas, 15º no IDH etc.
Cada
país tem sua história, é verdade, mas essa história não brota da terra
como produto da natureza. Ela é construída pelas decisões de suas
lideranças. Algumas são competentes e têm visão de futuro, outras não.
Os resultados entre os vários países mostram as diferenças (os erros e
acertos).
A pesquisa da OCDE ainda indicou que, apesar dos
problemas, a grande maioria dos professores no mundo se diz satisfeita
com o trabalho; eles são apoiados e reconhecidos pela institutição
escolar assim como pela sociedade em geral. Com relação à satisfação dos
professores brasileiros na carreira, apenas 12,6% acreditam que exista
uma valorização da profissão pela sociedade. Nesse item estamos entre os
dez últimos no ranking. A média global de satisfação dos professores é
de 31%. A Eslováquia é a última: apenas 3,9% dos entrevistados acreditam
serem respeitados pela sociedade, seguida de França e Suécia com 4,9%.
Os professores brasileiros recebem 1,9 mil reais por mês, três vezes
menos que a média total dos países da OCDE, de 5,7 mil reais. Entra
governo e sai governo e os professores continuam mal pagos, maltratados,
desestimulados e desesperançados.
Os donos do Brasil, invertendo
a máxima de Pitágoras (grego, filósofo), preferem punir os adultos
(sempre seletivamente) a educar as suas crianças. O que é isso? Falta de
educação dos donos do país. Eles não sabem que “Educação é uma
descoberta progressiva de nossa própria ignorância” (Voltaire, francês,
filósofo).
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