Propaganda eleitoral: como fica a cabeça do eleitor?



Ao assistir à propaganda eleitoral da candidata Dilma à presidência da República para o próximo pleito, que vem sendo transmitida pela rede de rádio e televisão, a conclusão a que se chega é a de que o ex-presidente Lula é uma dessas pessoas que não pode morrer, sobretudo no contexto atual (recorrendo-se mais uma vez à afirmação do senador Pedro Simon feita em uma entrevista à imprensa de que no Brasil morre quem não deveria morrer).
Pois, do contrário, esvaziar-se-ia a campanha da candidata Dilma. Como ficaria o seu discurso sem o ex-presidente Lula a “tiracolo”? Mesmo porque, para o eleitor desavisado, pode parecer que Lula é o seu vice – tantas são as aparições de Lula ao seu lado bem como as alusões feitas ao seu nome. Ou ainda, pode confundir o eleitor sobre quem efetivamente é candidato: Dilma ou Lula? Em caso de vitória, qual dos dois efetivamente vai governar o País? Afinal, quem o eleitor está elegendo?
São dúvidas que embaralham a cabeça do próprio eleitor. É bem provável que o marqueteiro, que é o especialista no tema, não pense assim. E daí, quem tem razão? Enfim, são metodologias que o eleitor, sobretudo o leigo (que é a grande maioria), tem dificuldade para entender. Mas isso é o de menos!
Aliás, essa prática, que só pode ter saído da cabeça do marqueteiro, vem dando margem à chacota de que se inverteu a ordem das coisas, não é mais o assessório que segue o principal, e sim o principal que segue o assessório!
Sabe-se que, em uma democracia ideal, o que deveria prevalecer para a opção do eleitor seriam as propostas do partido ao qual o candidato está filiado. Entretanto, a prática vem demonstrando que no Brasil, aliás, com um recrudescimento nos últimos tempos, isso não passa de retórica. O que prevalece não são as propostas do partido, e sim quem é o candidato. Por seu turno, o que interessa ao candidato é a conquista do poder ou sua manutenção, ainda que se tenha que fazer acordo com Deus e com o Diabo. Acordos políticos com partidos com ideologias diametralmente opostas acontecem sem nenhum constrangimento. E o eleitor?! Bem, o eleitor é o de menos. O importante é o poder! Mesmo assim, o eleitor precisa saber em quem está votando.
A propósito, o eleitor quando vota pelo sistema da urna eletrônica, após marcar o (a) candidato (a) da sua preferência, automaticamente aparece a foto do (a) respectivo (a) candidato (a). No caso de eleição para presidente, aparece também a foto do vice. Ora, em relação à candidata Dilma, é provável que o eleitor que optou por ela não confirme o voto, pois na tela não aparece Lula como seu vice – que poderia confundir o eleitor, em virtude de tantas aparições de Lula na televisão e em cartazes ao seu lado e também nas suas citações na propaganda pelo rádio. A perplexidade será ainda maior quando encontrarmos um eleitor que ache que o candidato é o próprio Lula!
Ora, se o objetivo da propaganda é o de esclarecer o eleitor, no nosso leigo modo de ver, a forma como foi formatada a propaganda da Dilma está deixando a cabeça do eleitor em parafuso. Afinal, Lula é seu vice ou vice-versa? Acontece que, se a opção do eleitor for votar em Dilma, vai aparecer Michel Temer na tela! E ai a confusão está formada.
Mas, no final, as coisas se ajustam, mesmo assim, coitado do eleitor!
José Carlos Robaldo
José Carlos de Oliveira Robaldo – Procurador de Justiça aposentado. Mestre em Direito Penal pela Universidade Estadual Paulista-UNESP. Professor universitário. Representante do sistema de ensino telepresencial LFG, em Mato Grosso do Sul. Ex Conselheiro Estadual de Educação. Sul

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