Governo publica MP que libera R$ 42,5 bi do Orçamento
O governo publicou, em edição extra do Diário Oficial da União, a
Medida Provisória 598, que libera para ministérios e empresas estatais
crédito extraordinário de R$ 42,5 bilhões. Grande parte do dinheiro, R$
41,8 bilhões, é referente ao Orçamento de 2013. O restante vem de
suplementos orçamentários de 2012. Como o Orçamento do ano que vem ainda
não foi aprovado pelo Congresso, que volta de recesso em fevereiro, o
governo decidiu editar a MP para evitar interromper obras e projetos
considerados essenciais.
O projeto do Orçamento da União de 2013 deverá ser votado após o
retorno dos parlamentares ao trabalho. A votação, que deveria ocorrer
ainda neste ano, foi adiada após um impasse sobre a votação do veto à
Lei dos Royalties – o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que o veto
não poderia ser votado antes da análise de mais de 3 mil vetos com
prazo vencido.
Com o crédito aberto pela MP, o governo pretende impedir a
descontinuidade de grandes obras e programas sociais, segundo a ministra
Miriam Belchior,
do Ministério do Planejamento. Em entrevista concedida nesta
quinta-feira (27), em que anunciou a edição da MP, Belchior citou obras
para as quais irá a verba, como a construção e reforma das BR 101, no
Espírito Santo; da BR 156, no Amapá e das BRs 285 e 386, no Rio Grande
do Sul.
Na área social, o governo pretende dar continuidade a obras de drenagem
e pavimentação em vias urbanas, além da construção de barragens
subterrâneas contra a seca e pagamento de seguro rural a 10 mil
produtores.
'Nenhuma ilegalidade'
A ministra lembrou que esta não é a primeira vez que, sem Orçamento sancionado, o governo precisar lançar mão de uma medida provisória para liberar crédito extraordinário. Em 2006, o governo teve de fazer o mesmo. Na época, o Orçamento só foi aprovado em 18 de abril, segundo Miriam. “A medida provisória foi editada à época e não houve problema naquele momento”.
A ministra lembrou que esta não é a primeira vez que, sem Orçamento sancionado, o governo precisar lançar mão de uma medida provisória para liberar crédito extraordinário. Em 2006, o governo teve de fazer o mesmo. Na época, o Orçamento só foi aprovado em 18 de abril, segundo Miriam. “A medida provisória foi editada à época e não houve problema naquele momento”.
Miriam negou que haja irregularidade no envio da medida e que o governo
está “confortável” com a decisão. “Temos convicção de que não estamos
cometendo nenhuma ilegalidade ao editar essa MP”, afirmou.
Segundo prevê a lei 4.320/64, que dispõe sobre a utilização de créditos
adicionais, os créditos extraordinários são "destinados a despesas
urgentes e imprevistas, em caso de guerra, comoção intestina ou
calamidade pública".
Miriam Belchior afirmou que o governo trabalhava com a perspectiva de
que o Congresso Nacional aprovasse o Orçamento ainda neste ano. "Estava
tudo pronto para ser aprovado no Congresso. A CMO já tinha aprovado o
relatório do senador Romero Jucá [relator do projeto], estava pronto
para plenário, assim também como a maior parte desses créditos. Em
função desse acontecimentos durante a última semana antes do recesso,
não foi possível realizar a votação", lamentou a ministra.
A liberação da verba por meio de medida provisória é necessária porque,
pela Lei de Diretrizes Orçamentárias, se o Orçamento não for sancionado
pela presidente da República até 31 de dezembro, o governo não pode
gastar no ano seguinte o dinheiro das receitas previstas para novos
projetos. Em investimentos, o Executivo só estaria autorizado a usar os
chamados "restos a pagar" (recursos aprovados em orçamentos anteriores).
Outras despesas estão garantidas, já que o governo é autorizado a
gastar 1/12 do orçamento de 2013 com custeio, como pagamento dos
salários de funcionários públicos, realização de eleições pela Justiça
Eleitoral, ações de prevenção de desastre, financiamento estudantil e
bolsas de estudo, ações decorrentes de acordo internacional com
transferência de tecnologia, e "outras despesas de caráter inadiável".
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