Lei seca mais rígida e multa de R$ 1,9 mil já devem valer no Natal
A lei seca ficou mais dura e passará a vigorar com multa ampliada e
novas possibilidades de provar a embriaguez ao volante, além do
bafômetro. Até quem faz uso de remédios poderá ser penalizado. É o que
determina o projeto aprovado ontem pelo Senado, que segue agora para a
sanção da presidente Dilma Rousseff. A expectativa dentro do governo é
de que, antes do Natal, a lei já esteja em vigor em todo o País.
Motoristas flagrados alcoolizados serão submetidos, além da sanção
administrativa, a uma multa de R$ 1.915,40 - hoje, esse valor é de R$
957,70. Será cobrado o dobro disso, R$ 3.830,80, em caso de reincidência
em um período de 12 meses.
O projeto é uma reação a uma decisão de março do Superior Tribunal de
Justiça (STJ). O Judiciário havia determinado que a punição de
motoristas sob influência de álcool ocorresse só com base em exame de
bafômetro ou de sangue.
Como a Constituição garante o direito de não se ter de produzir prova
contra si mesmo, as punições em caso de recusa do bafômetro passaram a
ser apenas administrativas, com suspensão da Carteira Nacional de
Habilitação (CNH). Agora, o condutor que se recusar a fazer o teste
também poderá ser enquadrado criminalmente.
O texto aprovado não exige que se comprove o estado de embriaguez do
motorista, mas uma "capacidade psicomotora alterada em razão da
influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine
dependência". Essa condição poderá ser demonstrada por "teste de
alcoolemia, exame clínico, perícia, vídeo, prova testemunhal ou outros
meios de prova admitidos em Direito".
O secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça,
Marivaldo Pereira, acompanhou a tramitação da proposta e destacou o
avanço legislativo. "A lei acaba com aquela situação em que o sujeito
não consegue sair do carro andando, mas se recusa a fazer o bafômetro e
acaba saindo impune."
Os teores alcoólicos admitidos foram mantidos. Hoje, configura crime
concentração igual ou superior a 0,6 grama de álcool por litro de
sangue. A expectativa do governo é de que, com a aceitação das provas
testemunhais, o bafômetro acabe até sendo solicitado pelo motorista,
para sua defesa.
Para o relator Eduardo Braga (PMDB-AM), a nova lei seca trará mais
segurança às rodovias no fim deste ano. "Nós não queremos mais blitze,
queremos menos mortos no fim de ano e no carnaval, queremos um País mais
seguro."
Só nas estradas paulistas que seguem para o litoral o movimento deve
triplicar no Natal - estima-se que 558 mil veículos utilizem essas vias -
e aumentar em até cinco vezes no ano-novo - chegando a 887 mil
veículos.
Como o Estado adiantou ontem, as blitze já teriam peritos examinando
quem se recusasse a fazer o teste do bafômetro, além de médicos,
delegados e até cadeirantes vítimas de acidentes de trânsito.
Remédios. A lei determina ainda que o Conselho Nacional de Trânsito
(Contran) regulamente testes para verificar quando o motorista está sob
efeito de qualquer "substância psicoativa" que altere sua capacidade de
direção - como, por exemplo, remédios.
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