Manobra: Congresso faz sessão para votar mais de 3 mil vetos
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), confirmou a convocação
de sessão do Congresso Nacional para esta quarta-feira (19/12), às 12h,
com objetivo de votar mais de 3 mil de vetos presidenciais pendentes. A
medida pode viabilizar o exame do veto parcial da presidente Dilma
Rousseff à Lei dos Royalties, suspenso depois de decisão liminar do
ministro do Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, considerando
inconstitucional a aprovação de regime de urgência para a matéria. A
decisão determinou que a apreciação dos vetos seguisse a ordem
cronológica de chegada ao Congresso.
A Mesa Diretora do Congresso
aprovou o pedido depois de receber um requerimento assinado pelos
líderes das duas Casas solicitando a convocação da sessão. “Eu não
tomaria nenhuma iniciativa [sozinho]. Os líderes me pediram, todos eles, para convocar a sessão para amanhã com a finalidade [de analisar]
o veto. Como isso foi a vontade de toda a Casa, eu submeti à Mesa
Diretora que aprovou a convocação da sessão para amanhã”, declarou
Sarney.
O senador Magno Malta (PR-ES) criticou a possibilidade de
votação de mais de 3 mil vetos, sem análise de conteúdo, sobre temas
como a regulamentação da Emenda Constitucional 29, que garante recursos
para saúde, o fator previdenciário e o Código Florestal. Ele também
classificou a manobra para a votação do veto aos royalties como
"estelionato regimental". “Aviso e advirto que no primeiro momento
impetrarei um Mandado de Segurança para nulidade de uma sessão, que tem
nulidade, tal qual a primeira [sessão de quarta-feira passada]”, disse.
De
acordo com a Coordenação da Mesa do Congresso, os vetos têm de ser
apreciados em votação nominal, por metade mais um dos parlamentares
presentes à sessão. Como o número de vetos é grande, cada parlamentar
receberá um "livro", com a relação dos dispositivos vetados. As votações serão nominais e manuais, em cédulas de papel.
Cada
cédula contém 463 páginas a serem depositadas em 13 urnas que estão
sendo produzidas especialmente para a reunião. A votação é secreta e, em
cada item da cédula, os parlamentares terão a opção de marcar com um
“x” os espaços reservados ao “sim”, ao “não” ou à “abstenção”.
O
voto “sim” significa a manutenção do veto. Quem marcar “não” está
rejeitando. Os votos em branco implicarão nulidade, porque contam apenas
para efeito de quórum.
O relator da sessão desta quarta é o
deputado Júlio Cesar (PSD-PI). Segundo ele, será lido apenas parecer
relativo à questão dos royalties, pois as demais matérias já são
consideradas de conhecimento dos parlamentares por estarem há muito
tempo aguardando. Ainda de acordo com o relator, a orientação para os
representantes dos estados não produtores é para que eles votem não para
o veto 38/12 e sim para os demais.
Enquanto a reunião não
acontece, o Congresso ainda aguarda nova manifestação do Supremo. Na
tarde de terça-feira (18/12), a Mesa do Congresso Nacional, por meio da
Advocacia-Geral do Senado, protocolou no STF Agravo Regimental para
tentar reverter liminar concedida pelo ministro Luiz Fux.
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