Governo monta força-tarefa para impedir racionamento
A
força tarefa, coordenada entre o ministro de Minas e Energia, Edison
Lobão, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS),
Hermes Chipp, e a presidente da Petrobrás, Graças Foster, foi montada
para abafar qualquer desacerto no setor elétrico, berço da carreira
administrativa de Dilma, iniciada na secretaria de Minas e Energia do
governo do Rio Grande, entre 1993 e 1994, e mais tarde consolidada como
ministra da mesma pasta no governo Lula.
No ministério, em
Brasília, Lobão garantiu estoque de energia térmica suficiente para
atender a demanda do país diante do baixo nível dos reservatórios e
reafirmou que o governo manterá o compromisso de entregar uma redução
nas contas de luz de 20%, em média, neste ano, apesar da elevação dos
custos causados pelo acionamento intensivo das termelétricas. "A redução
nas tarifas de energia acontecerão já a partir do próximo mês", disse
Lobão.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) admite um
custo mais alto de geração de energia causado pelo acionamento das
térmicas - que têm preços mais caros quando comparadas à energia
hídrica. O impacto nas tarifas, gerado por meio de Encargos de Serviços
do Sistema (ESS) será neste início de ano de cerca de R$ 800 milhões,
pelo acionamento das térmicas desde o final do ano passado, e deve
seguir em R$ 400 milhões, em média, pelos próximos meses, caso as
térmicas continuem ligadas.
Segundo o diretor-geral da ONS,
Hermes Chipp, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estuda
medidas para evitar que este aumento do custo de energia seja repassado
integralmente ao consumidor. Ele não entrou em detalhes de como a medida
poderá ser operacionalizada, mas caso as térmicas continuem ligadas ao
longo de 2013, o aumento da conta de luz poderia chegar a 3%, o que
reduziria o desconto na tarifa prometido por Dilma para cerca de 17%.
Mas
Lobão afirma que o percentual de aumento nas contas de luz diz respeito
a um cenário extremo, que não deve se confirmar. A perspectiva do
ministério é que o volume de chuva previsto para ocorrer até abril seja
suficiente para recuperar o nível de segurança dos reservatórios, o que
colocaria fim a necessidade de uso das termelétricas. "O período mais
intenso de chuvas é até abril e contamos com isso para que o custo de
geração de energia caia", afirma Lobão.
Segundo o diagnóstico de
Chipp, a necessidade mais urgente para a retomada dos níveis de
segurança do fornecimento da geração hídrica é para o restabelecimento
do nível de água dos reservatórios na Bacia do Rio Grande (entre Minas
Gerais e São Paulo) e na Bacia do Rio Parnaíba que incluem as usinas de
Furnas e da Cemig, responsáveis por grande parte do abastecimento da
região Sudeste.
Lobão afirmou que o estoque de energia que o
Brasil possui hoje é suficiente para evitar qualquer risco de repetição
de racionamento de energia, a exemplo do que ocorreu em 2001.
Segundo
o ministro, há 121 mil megawatt (MW) de estoque energético atualmente,
diferente dos 70 mil MW que existiam há 10 anos. Além disso, há 106 mil
quilômetros de rede de transmissão, o que também é bem maior do que no
passado. Além disso, cerca de 3 mil MW de potência advinda de
termelétricas devem ser agregados ao sistema até abril deste ano.
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