Investigação sobre Lula no mensalão

A Procuradoria Geral da República (PGR) ainda não definiu
se efetuará ou não investigação contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva por seu suposto envolvimento no esquema do mensalão. No final
do ano passado, o publicitário Marcos Valério, condenado a mais de 40
anos de prisão por ser o operador do esquema, prestou depoimento ao
procurador-geral da República, Roberto Gurgel, segundo o qual Lula teria
recebido R$ 98 mil para pagamento de despesas pessoais.
Nesta quarta-feira, a PGR confirmou que qualquer
providência no sentido de investigar o ex-presidente somente será tomada
após o término do trâmite da Ação Penal 470. Apesar do julgamento ter
sido concluído em dezembro, ainda resta a publicação do acórdão
condenatório. Depois disso, o julgamento passa para a fase de recursos.
Ainda segundo a nota oficial, o procurador-geral da República ainda não
analisou o depoimento de Marcos Valério como peça processual contra o
ex-presidente.
A PGR divulgou essa informação em meio à notícia de que
Roberto Gurgel já teria decidido investigar o ex-presidente. Gurgel
teria decidido remeter o caso à primeira instância.
“O Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, ainda
não iniciou a análise do depoimento de Marcos Valério, pois aguardava o
término do julgamento da AP 470 ( mensalão
)", diz a nota. "Somente após a análise poderá informar o que será feito
com o material. Portanto, não há qualquer decisão em relação a uma
possível investigação do caso”, informa a PGR.
No depoimento prestado em setembro do ano passado,
Valério afirmou que, em 2003, depositou R$ 98 mil nas contas da empresa
de segurança Caso, de propriedade do ex-assessor da Presidência Freud
Godoy, considerado um dos principais auxiliares do ex-presidente na
época. Valério disse que o dinheiro foi destinado ao pagamento de
despesas pessoais.
O publicitário prestou esse depoimento após ter sido
condenado no julgamento do mensalão e esperava, com isso, ter benefícios
para reduzir sua pena no julgamento do mensalão. Contudo, os ministros
do Supremo entenderam que essa informação não acrescentaria em nada ao
processo, já em fase final de análise.
O procurador-geral da República está de férias e retorna
ao trabalho na próxima semana. A tendência é que ele se pronuncie
oficialmente sobre o caso no final de janeiro ou início de fevereiro.
Como o ex-presidente não tem foro privilegiado, caso seja instaurada uma
investigação, ela deve ser remetida ao MPF na primeira instância.
Durante o julgamento do mensalão, o presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, entre outros ministros, como
Marco Aurélio Mello, defenderam a abertura de procedimento
investigatório contra o ex-presidente.
Hoje, o ex-presidente já responde a processo em primeira
instância por crime de improbidade administrativa. Ele é acusado de
utilizar a máquina pública para realizar promoção pessoal e beneficiar o
banco BMG, envolvido no esquema do mensalão. Segundo a acusação do
Ministério Público Federal mais de 10,6 milhões de cartas com teor
propagandístico foram enviadas a correntistas do INSS. A operação custou
aproximadamente R$ 9,5 milhões aos cofres públicos, segundo o MPF. O
Ministério Público Federal pede justamente o ressarcimento deste valor
ao erário.
Comentários
Postar um comentário