Normas técnicas: Empresa deve recolher produtos fora das especificações
A
Yara Brasil Fertilizantes, com sede em Porto Alegre, está proibida de
armazenar e vender produtos que estejam fora das especificações técnicas
e legais. Além disso, tem de recolher todos os lotes que apresentarem
divergência em relação às normas de fabricação. Se descumprir as
obrigações, estará sujeita à multa de R$ 50 mil por lote não retirado do
mercado.
As determinações constam do despacho proferido pelo juiz
Giovanni Conti, titular da 15ª Vara Cível do Foro Central de Porto
Alegre, no dia 14 de dezembro, em face da Ação Coletiva de Consumo,
com pedido de antecipação de tutela, movida pelo Ministério Público
gaúcho. A inversão do ônus da prova, por se constituir em relação de
consumo, foi deferida como previsto no inciso VIII, artigo 6º, da Lei
8.078/90.
Procedimento administrativo realizado pelo Ministério da
Agricultura, Pecuária Abastecimento (Mapa) revelou que, em diversas
amostras, os níveis de potássio, cobre, manganês e alguns nutrientes
fabricados pela Yara estavam aquém dos padrões estabelecidos. Do total
das amostras colhidas, 20% apresentaram deficiência em pelo menos um
componente.
Conforme o juiz Conti, a farta documentação acostada à inicial demonstra a plausibilidade das alegações do parquet
estadual, apontando, com fortes indícios, práticas ilegais e abusivas
perpetradas pela empresa de fertilizantes. ‘‘Na esfera cível, mostra-se
necessário resguardar eventual reparação aos danos suportados pelos
consumidores decorrentes das operações, agindo o Ministério Público nos
interesses individuais homogêneos e difusos e de toda coletividade’’,
justificou o magistrado. Cabe recurso da antecipação de tutela.
A Ação Coletiva de Consumo
A ação foi gestada na Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, sediada na capital gaúcha, a partir de documentação remetida pelo Ministério Público Federal que, por sua vez, a recebeu do Ministério da Agricultura. Na raiz da questão, está o Parecer técnico do engenheiro químico Renato Zucchetti, que trabalha no Serviço de Emergência da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).
A ação foi gestada na Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, sediada na capital gaúcha, a partir de documentação remetida pelo Ministério Público Federal que, por sua vez, a recebeu do Ministério da Agricultura. Na raiz da questão, está o Parecer técnico do engenheiro químico Renato Zucchetti, que trabalha no Serviço de Emergência da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).
Segundo o
técnico, a Yara apresentou sete amostragens em que os lotes de
fertilizantes foram fabricados fora das conformidades estabelecidas pelo
Ministério da Agricultura. Em duas oportunidades, anotou que "a
fiscalização identificou planilhas (ordem de produção) especificando que
era para produzir o produto com a diferença de tolerância permitida na
análise pelo Mapa".
Conforme a inicial, oferecer produto em
desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais ou com a
legislação constitui prática abusiva expressamente prevista no artigo
39, inciso VIII, do Código de Defesa do Consumidor -- Lei 8.078/90. Por
outro lado, o artigo 6º. diz que é direito do consumidor dispor de
informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com
especificação correta de quantidade, características, composição,
qualidade, riscos e preços. O inciso VI deste artigo prevê a "efetiva
prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,
coletivos e difusos".
Os promotores de Justiça que assinam a peça -
Alcindo Luz Bastos da Silva Filho, Rossano Biazus e Gustavo de Azevedo e
Souza Munhoz – ressaltaram que as multas administrativas impostas pelo
Mapa não tiveram o dom de fazer cessar a produção de fertilizantes em
desconformidade com as normativas legais. Pelo porte destas empresas,
são "valores ínfimos", comparando com sua lucratividade.
"Assim,
ao lado da imposição de multas em razão das infrações administrativas
praticadas, devem ser tomadas outras medidas idôneas, a fim de fazer
cessar tais práticas abusivas. (...) Ademais, muitos dos consumidores
que compram fertilizantes são agricultores de baixa renda, que nada ou
pouco sabem acerca dos malefícios que tais produtos causam a suas saúdes
quando manejados incorretamente."
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