Ipea 'antecipa' impacto do programa Brasil Carinhoso
Sete meses após ser lançado, ainda é impossível avaliar o impacto do
Programa Brasil Carinhoso sobre a redução da extrema pobreza. Ainda
assim, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), autarquia
ligada à Secretaria de Assuntos Estratégicos, chancela a ação e garante
que vai acentuar a queda na quantidade de brasileiros que se encaixam
nessa categoria.
Os efeitos das políticas de transferência de renda do governo federal
têm sido medidos pelo Programa Nacional por Amostra de Domicílios
(Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Como foi
lançado em maio deste ano e ampliado em novembro, as reais consequências
do Brasil Carinhoso só poderão ser medidas pela pesquisa de 2013, que
deve ser divulgada no segundo semestre de 2014.
Apesar disso, o Ipea publicou na quarta-feira (26) uma simulação
segundo a qual o número de brasileiros que vivem em condições de extrema
pobreza - recebem uma renda mensal per capita inferior a R$ 70 - pode
diminuir do índice atual de 3,4% para 0,8%. O resultado é mais
satisfatório (0,6%) quando se considera, apenas, a população de zero a
15 anos.
O Ipea ressaltou que esse cenário pode não se confirmar a partir de
outros indicadores que influenciam na transferência de renda, como
índice de ocupação e crescimento econômico, "mas com certeza é possível
afirmar que a redução da pobreza ocasionada pela mudança do desenho de
benefícios será bem maior do que a que seria obtida com os desenhos
anteriores", destacou o responsável pelo estudo, Rafael Osório.
Segundo Osório, esse possível salto de efetividade do programa é
explicado pelas mudanças no cálculo do benefício. "A introdução do
Programa Brasil Carinhoso em 2012 alterou o desenho de benefícios e
considera famílias que não chegariam à linha mínima de renda e calcula
quanto falta. Não é possível calcular o benefício apenas por família,
tem que considerar a renda per capita para ser efetivo."
Por meio do Brasil Carinhoso, todas as famílias cadastradas no Bolsa
Família têm a garantia de uma renda per capita de pelo menos R$ 70,
independentemente do número de filhos. Antes, só recebiam auxílio
financeiro famílias com no máximo cinco crianças e dois jovens cada.
O responsável pelo estudo destacou, ainda, que a ampla cobertura do
Brasil Carinhoso deve deixar um índice residual de pobreza extrema, que
poderá ser corrigido com mais facilidade. "A partir daí, vai faltar
pouca gente para receber esse empurrão e chegar na linha dos R$ 70 per
capita." Segundo o instituto, o número de brasileiros que viviam em
situação de extrema pobreza caiu de 5,3% em 2003 - antes da implantação
do Bolsa Família - para 3,4% em 2011. Ao se considerar a população de
até 15 anos, o índice passou de 9,7% para 5,9%.
A previsão de investimento anual com o Brasil Carinhoso era de R$ 2,2
bilhões em sua primeira fase, atendendo crianças de zero a 6 anos. Com a
ampliação, em novembro, passaram a ter direito ao benefício famílias
com crianças na faixa etária de zero a 15 anos, elevando os custos do
programa para R$ 3,94 bilhões por ano. A ampliação deve atender 8,1
milhões de crianças e jovens.
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