Balança comercial registra pior desempenho em 10 anos
A balança comercial brasileira registrou um superávit (exportações
menos importações) de US$ 19,43 bilhões em todo ano de 2012, informou
nesta quinta-feira (2) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior (MDIC).
Frente ao ano de 2011, quando o saldo positivo somou US$ 29,79 bilhões,
foi registrada uma queda de 34,75%. O saldo positivo do ano passado
também representou o menor superávit da balança comercial brasileira
desde 2002 - quando as exportações superaram as importações em US$ 13,19
bilhões.
A queda do saldo comercial brasileiro aconteceu em meio à crise
financeira internacional. Com crescimento menor da economia mundial, as
exportações para outros países diminuíram. A crise financeira também
gerou acirramento da competição internacional por mercados compradores,
como o Brasil, e também dificultou as vendas externas brasileiras em
outras nações.
Exportações e importações
Em todo ano passado, as exportações somaram US$ 242,58 bilhões, com média diária de US$ 966 milhões, enquanto as compras do exterior totalizaram US$ 223,14 bilhões (média de US$ 889 milhões por dia útil). Em relação ao ano de 2011, as vendas externas tiveram queda de 5,3% e as importações recuaram 1,4%, de acordo com dados do governo federal.
Em todo ano passado, as exportações somaram US$ 242,58 bilhões, com média diária de US$ 966 milhões, enquanto as compras do exterior totalizaram US$ 223,14 bilhões (média de US$ 889 milhões por dia útil). Em relação ao ano de 2011, as vendas externas tiveram queda de 5,3% e as importações recuaram 1,4%, de acordo com dados do governo federal.
"As exportações em 2012 foram impactadas pela queda dos preços, visto
que a quantidade exportada ficou ligeiramente acima de 2011", informou o
Ministério do Desenvolvimento. Segundo dados oficiais, o preço das
vendas externas brasileiras recuou 5,1% no último ano, ao mesmo tempo
em que a quantidade exportada avançou 0,1%. O preço do minério de ferro,
por exemplo, caiu 24,9% em 2012, enquanto que o preço do café em grão
recuou 14,8% e do açúcar em bruto teve diminuição de 10,1%.
Analistas põem resultado em dúvida
Além do saldo comercial divulgado oficialmente pelo Ministério do Desenvolvimento ter sido o menor em dez anos, analistas consultados pelo G1 lançaram dúvidas sobre o resultado do ano passado. Eles lembraram que, em julho, a Receita Federal editou a instrução normativa 1.282, que concedeu mais prazo para a Petrobras registrar, no Siscomex (Sistema de Comércio Exterior) do governo as importações de derivados de petróleo, como combustíveis.
Além do saldo comercial divulgado oficialmente pelo Ministério do Desenvolvimento ter sido o menor em dez anos, analistas consultados pelo G1 lançaram dúvidas sobre o resultado do ano passado. Eles lembraram que, em julho, a Receita Federal editou a instrução normativa 1.282, que concedeu mais prazo para a Petrobras registrar, no Siscomex (Sistema de Comércio Exterior) do governo as importações de derivados de petróleo, como combustíveis.
Normalmente, as empresas têm 20 dias para fazer o registro. Para a
Petrobras, foi concedido um prazo de até 50 dias, o que retardou o
lançamento, neste ano, de operações de importação de combustíveis e
lubrificantes. Sem essa alteração, segundo os especialistas em comércio
exterior, as importações de combustíveis registradas seriam maiores
ainda, o que diminuiria o valor do superávit comercial deste ano.
"A gente não sabe qual o resultado ainda. Faltam ser registrados mais
ou menos US$ 6 bilhões [em importações de combustíveis]. Isso até
outubro. Novembro veio um valor que corrigiu uma pequeníssima parte. Em
dezembro, pelo menos o que estamos vendo até agora [parcial das
primeiras duas semanas], está abaixo do que seria necessário [para
corrigir as defasagens]. Não vou dizer que o saldo está 'maquiado'. Mas
está claramente defasado", disse José Augusto de Castro, presidente da
Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
O economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior
(Funcex), Rodrigo Branco, também tem a mesma percepção. "O que a gente
escuta dizer é que grande parte das importações de petróleo e derivados
ainda ficaram para ser registrados neste ano [2013]. Já existe uma
análise de mercado de que há US$ 6 bihões que não foi totalmente
contabilizado no fim de 2012 e que uma parte disso, que a gente não sabe
dizer quanto, ficaria para [ser contabilizado em] 2013. É um valor
relevante, importante", declarou ele.
Segundo a secretária de Comércio Exterior do Ministério do
Desenvolvimento, Tatiana Prazeres, é "provável" que ainda haja
importações atrasadas não registradas pela Petrobras. Ela não soube,
entretanto, precisar o valor do impacto no saldo comercial de 2012.
"Mais informações, só a Petrobras terá", declarou ela, acrescentando que
o valor tende a ser menor do que US$ 4,5 bilhões. "Ainda há operações
que precisam ser registradas no Siscomex, mas são em valores bastante
inferiores ao que foi registrado até novembro [US$ 4,5 bilhões], quando
boa parte das importações foi registrada", declarou ela.
Expectativa para 2013
Para 2013, ano que ainda será influenciado pelos efeitos da crise financeira internacional e pela concorrência acirrada pelos mercados que ainda registram crescimento econômico – como é o caso do Brasil –, os economistas dos bancos acreditam que o valor do superávit da balança comercial (exportações menos importações) registrará nova queda, atingindo cerca de US$ 15,5 bilhões.
Para 2013, ano que ainda será influenciado pelos efeitos da crise financeira internacional e pela concorrência acirrada pelos mercados que ainda registram crescimento econômico – como é o caso do Brasil –, os economistas dos bancos acreditam que o valor do superávit da balança comercial (exportações menos importações) registrará nova queda, atingindo cerca de US$ 15,5 bilhões.
O Banco Central, por sua vez, projeta um superávit da balança comercial
de US$ 17 bilhões para 2013, com exportações de US$ 268 bilhões e
importações de US$ 251 bilhões. Já a Confederação Nacional da Indústria
(CNI) prevê um saldo comercial positivo de US$ 18,1 bilhões neste ano.
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