Rios do Pará são latas de lixo

A capital paraense é contornada por vários rios, onde navegam centenas
de embarcações diariamente. Um deles é o rio Guamá, que contorna toda a
Universidade Federal do Pará (UFPA). O rio também é, para os ribeirinhos
que moram às suas margens, uma fonte de renda e de alimentação.
O açaí,
um dos principais alimentos do cardápio paraense, também chega às
feiras e supermercados da cidade através do rio.
A necessidade de tratar melhor dos rios paraenses, segundo o professor e
geólogo Milton Matta, é um fator que influencia diretamente na
qualidade de vida da população. "Os rios fazem parte da vida da gente.
Dentro do ciclo hidrológico, os rios nos abastecem de água, e são
responsáveis pela evaporação, que vai ser responsável pela quantidade de
chuva, que vai ser responsável pela nossa temperatura, que vai ser
responsável pela qualidade de vida, e assim por diante. Além de também
servir para nossa alimentação. Os ribeirinhos é que tratam o açaí e o
pescado", explica.
Além da beleza natural, os rios que contornam Belém poderiam ser uma
alternativa eficiente de locomoção entre municípios da Região
Metropolitana da cidade. Porém, eles funcionam como um depósito de lixo e
esgoto, muitas vezes despejado no local pela própria população. "Na
Amazônia nós temos dois tipos de estradas para se locomover: as estradas
de rodagem, físicas, e também as estradas dos rios. Então a nata, a
rede de rios, fornece também essa parte de locomoção do paraense e do
amazônida de uma maneira geral. O grande problema que a gente tem é que
essas águas superficiais, que também servem para o nosso abastecimento
hídrico, para o abastecimento de água, estão quase todas contaminadas. E
isso não é privilégio da Amazônia nem do Pará, é uma situação no Brasil
inteiro. Cerca de 95% do nosso esgoto é jogado nos rios. Então os
nossos rios servem de lata de lixo do nosso esgoto. Isso realmente é um
reflexo da falta de políticas relacionadas ao meio ambiente", ressalta o
geólogo.
Às
margens do rio Guamá ficam muitas ilhas, como a Ilha do Cumbu, que são
visitadas regularmente por turistas e pelos próprios moradores de Belém
(Foto: Dirceu Maués / O Liberal)
De acordo com Matta, as consequências dessa falta de cuidado com os
rios prejudica especialmente aquela população que, todos os dias, entra
em contato com essas águas. "Os rios são fonte de alimentação mas se
eles estiverem poluídos, os peixes vão sofrer com isso", exemplifica.
Segundo ele, faltam projetos de educação ambiental para conscientizar a
população.
Uma das consequências dessa lacuna pode ser percebida através do
desaparecimento de determinadas bacias urbanas de Belém, segundo o
professor. "Nós temos grandes bacias urbanas que estão desaparecendo. A
bacia do Mata Fome, por exemplo, está desparecendo. Se nada for feito
ela vai sumir, vai ser soterrada por sedimentos. Toda a mata auxiliar
foi destruída pela ocupação urbana. E assim como temos o Mata Fome, nós
temos também várias bacias na mesma situação", afirma.
Saúde e conscientização ambiental
A influência da qualidade da água na saúde da população também é um ponto para qual o geólogo chama a atenção. "De 60 a 65% da ocupação dos nossos hospitais, das grandes metrópoles, são com doenças de veiculação hídrica, são doenças causadas pela água. Então existem as águas boas e as águas más. As boas são aquelas que nos alimentam, que nos trazem tudo que a gente precisa para o corpo humano. Mas existem as águas más também, que nos abastecem de doenças e podem nos levar a morte. Então isso aí é uma situação de saúde pública. E os órgãos competentes tem que se preocupar", alerta.
A influência da qualidade da água na saúde da população também é um ponto para qual o geólogo chama a atenção. "De 60 a 65% da ocupação dos nossos hospitais, das grandes metrópoles, são com doenças de veiculação hídrica, são doenças causadas pela água. Então existem as águas boas e as águas más. As boas são aquelas que nos alimentam, que nos trazem tudo que a gente precisa para o corpo humano. Mas existem as águas más também, que nos abastecem de doenças e podem nos levar a morte. Então isso aí é uma situação de saúde pública. E os órgãos competentes tem que se preocupar", alerta.
Quanto à população, para Matta, a conscientização é um passo que
precisa ser dado urgentemente, porém com o apoio de políticas públicas
específicas para o meio ambiente. "A população pode sim ajudar. Mas é
difícil você pegar uma população da periferia, que não
tem educação, que não tem nem o que comer, não tem água potável para beber, e dizer que não pode jogar um lixo no rio. Eles não entendem isso. Eles só vão entender se houver uma política realmente de educação ambiental", ressalta.
tem educação, que não tem nem o que comer, não tem água potável para beber, e dizer que não pode jogar um lixo no rio. Eles não entendem isso. Eles só vão entender se houver uma política realmente de educação ambiental", ressalta.
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