No 1º de maio, deputados pedem fim do fator previdenciário e redução da jornada
O
1º de Maio deste ano - Dia Internacional do Trabalhador - marcará no
Brasil também os 70 anos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT -
Decreto-Lei 5.452/43), que reuniu em 1943 boa parte dos direitos
assegurados até hoje ao trabalhador brasileiro, como o salário mínimo, o
recebimento de hora extra e de diferencial por trabalho noturno, além
de férias remuneradas. Sessão solene no Plenário da Câmara, nesta
terça-feira (30), às 14h30, vai celebrar a data.
Parlamentares
ligados à causa trabalhista reconhecem que há muito o que comemorar,
mas também ainda há muito por fazer. De maneira quase unânime, a redução
da carga de trabalho semanal de 44 para 40 horas - Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) 231/95 - e o fim do fator previdenciário - Projeto
de Lei 3299/08 - são apontados por eles como prioridades entre as cerca
de 70 propostas que tramitam atualmente na Câmara propondo alterações na
CLT para garantir novos direitos aos trabalhadores.
A
PEC 231/95, aprovada por uma comissão especial em junho de 2009, ainda
aguarda acordo para votação pelo Plenário. Já o PL 3299/08 será
analisada por uma comissão especial formada para realizar um estudo e
apresentar propostas em relação ao fator previdenciário, de acordo com
decisão tomada pelo Colégio de Líderes na última terça-feira (23) - a
instalação do colegiado ainda depende da indicação de seus integrantes
pelos partidos. (Confira a lista de indicações)
O
deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), que preside a Força Sindical,
celebra os avanços proporcionados pela CLT. “Nós estamos comemorando 70
anos de CLT e todos os movimentos que a Força Sindical está organizando
são em defesa dessa lei, porque o mais importante é manter os direitos
já conquistados”, avalia.
Recordando
conquistas mais recentes, que vieram com a promulgação da Constituição
de 1988, como o recebimento de 1/3 proporcional de férias e a
licença-maternidade, Paulo Pereira também aponta o que ainda falta
fazer. “A redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais é um
projeto que tramita aqui na Casa há 18 anos. Falta ainda acabar com o
fator previdenciário e fazer uma politica salarial para os aposentados
que ganham mais do que um salário mínimo”, destaca.
Relator
da PEC sobre a jornada de trabalho, o deputado Vicentinho (PT-SP)
espera que a proposta seja finalmente votada pelo Plenário. Como um dos
fundadores da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983, ele
entende que, mais do que comemorar o Dia do Trabalhador, o importante
neste dia é refletir. “Pessoas morreram pela causa dos trabalhadores.
Por isso, esse dia precisa ser de reflexão e de fortalecimento da
caminhada daquele que gera e movimenta as riquezas do País.”
Trabalho escravo
Entre
as conquistas dos últimos anos, Vicentinho ressalta a PEC 438/01, que
endurece as penas aplicadas a quem utilizar trabalho escravo - a
proposta foi aprovada em maio de 2012 pela Câmara e está sendo analisada
pelo Senado. “No ano passado, nós avançamos nessa questão do trabalho
escravo, colocando na cadeia quem usar esse tipo de recurso e,
inclusive, autorizando a desapropriação de terras para fins de reforma
agrária onde se constatar o emprego de práticas associadas à
escravidão”, lembra o deputado. Ele cita ainda a aprovação do PL
1033/03, que assegura o pagamento de adicional de periculosidade aos
vigilantes e foi transformado na Lei 12.740/12.
Presidente
da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, o deputado
Roberto Santiago (PSD-SP) entende que ainda é preciso assegurar
melhores condições de trabalho ao brasileiro, além de melhorar a
distribuição do conjunto de riquezas produzidas no País. “Essa Casa
costuma discutir muito a questão do salário mínimo, mas, na verdade, nós
precisamos melhores as condições de trabalho para esses profissionais”,
afirma.
Também
favorável ao fim do fator previdenciário, Santiago considera que essa
deve ser uma pauta prioritária para 2013. “Não é possível você trabalhar
ao longo de sua vida e, quando vai buscar tranquilidade, descanso, ter
uma redução salarial que não permite que se aposente. Ou então, obriga o
trabalhador a aderir a uma prática frequente ultimamente, que é pedir a
aposentadoria e continuar trabalhando”, destaca.
Segundo
a CUT, as comemorações do 1º de Maio devem abrigar também protestos
contra o Projeto de Lei 4330/04, do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), que
regulamenta as terceirizações de mão de obra nos setores público e
privado. “Não queremos esse projeto ameaçador, porque legaliza a
precarização”, ressalta Vicentinho.
Trabalho doméstico
A
deputada Benedita da Silva (PT-SP), que já trabalhou como doméstica,
afirma que o Dia do Trabalhador deste ano servirá para celebrar a
aprovação da PEC 478/10, transformada na Emenda Constitucional 72, que
amplia os direitos trabalhistas de domésticas, babás, cozinheiras e
outros trabalhadores em residências. Entre
os 16 direitos previstos, estão a jornada de trabalho de 44 horas
semanais, pagamento de horas extras e proibição de trabalho de menores
de 16 anos.
Diversos
dispositivos dessa lei, porém, ainda precisam ser regulamentados. A
comissão mista que analisa a regulamentação de 118 dispositivos
constitucionais, entre eles os novos direitos do trabalhador doméstico,
está negociando com o governo pontos como a redução da multa sobre o
FGTS em caso de demissão sem justa causa.
Benedita
da Silva também defende a aprovação do PL 2295/00, do Senado, que
regulamenta a jornada de trabalho dos enfermeiros. O projeto ainda
depende de acordo dos líderes para votação no Plenário.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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