SUS terá 11 novas terapias para câncer
O Ministério da Saúde lançou um pacote de medidas para
remodelar o tratamento de pacientes com câncer pelo Sistema Único de
Saúde (SUS). A lista de procedimentos foi atualizada, com a inclusão de
11 terapias, readequação de 20 e exclusão de 9, consideradas obsoletas.
Além da revisão dos procedimentos, o ministério criou uma gratificação
para incentivar hospitais a fazer mais cirurgias.
"O País dispõe de centros com capacidade para aumentar o número de
atendimentos com a infraestrutura existente", disse o ministro da Saúde,
Alexandre Padilha. O incentivo será dado para hospitais classificados
com porte A e B, que realizam, respectivamente, mais de 1,6 mil
cirurgias para tratamento de pacientes com câncer por ano.
Aqueles que superarem a meta receberão um acréscimo de 20% nos
valores pagos pelos procedimentos. "A ideia é que centros ganhem em
escala. Muitos podem perfeitamente trabalhar em três turnos, realizando,
por exemplo, cirurgias ou quimioterapia à noite para pacientes
internados", completou Padilha.
A estratégia começou a ser estudada no início do ano por uma equipe
do ministério, integrantes do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e
representantes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica. "O
objetivo é reduzir ao máximo a espera para o início do tratamento de
câncer", disse o ministro.
Além de aproveitar a capacidade já instalada dos centros, Padilha
disse ser necessária a criação de pontos de atendimento em áreas onde
hoje a oferta ainda é deficiente. "Precisamos reduzir as desigualdades.
Para criação de novos serviços, é preciso também garantir
profissionais."
O ministro conta que a partir de 2013 uma nova dinâmica para
discussão do atendimento de pacientes com câncer será adotada. A ideia é
fazer reuniões periódicas com direção de hospitais e representantes de
Estados e municípios onde serviços funcionam para avaliar as
necessidades, criar estímulos e, se necessário, reorganizar o
atendimento.
Fragilidades. O grupo formado no início do ano identificou duas
fragilidades no atendimento: a oferta de serviços de radioterapia e
cirurgias.
Numa primeira etapa, o governo anunciou a expansão dos centros de
radioterapia. A meta é ter, até 2014, 80 centros de atendimento. Além
dos serviços públicos, o governo autorizou a realização de tratamentos
radioterápicos em serviços especializados particulares conveniados com o
SUS.
"Novos centros foram credenciados, sobretudo nas Regiões Norte e
Nordeste", disse o ministro. A meta agora é melhorar a oferta de
cirurgias. "Além da incorporação de novas técnicas, decidimos reajustar
as tabelas."
Entre as novas cirurgias, cinco são de cabeça e pescoço. O valor da
internação para quimioterapia em pacientes com leucemias também foi
ampliado em três vezes. O valor passará de R$ 167 para R$ 562. Pelos
cálculos do governo, isso vai representar um aumento de R$ 25,2 milhões
no orçamento de quimioterapia. Ao todo, serão reservados para o
tratamento R$ 39,4 milhões.
A revisão nos valores das cirurgias também trará um impacto
significativo. A expectativa é de que, para financiar os 121
procedimentos existentes, o orçamento reservado para cirurgias
oncológicas passe de R$ 172,1 milhões para R$ 380,3 milhões.
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