A Parada Gay e o histórico de desrespeito a imagem de Cristo.
Publicado por Pareta Calderasch
A última Parada Gay literalmente deixou o que falar, entre os protestos que estão se acirrando cada vez mais na guerra contra a homofobia, uma imagem agonizou boa parte do país, uma modelo travesti crucificada e banhada em sangue, figurando uma das mais conhecidas representações de Cristo. De um lado comentava-se sobre o desrespeito que o ato gerava a religião cristã, do outro o teor artístico da performance contra os atos praticados aos LGBT's. Mas, para apurar esse fato com sensatez, é necessário entender o histórico das representações de Cristo e o quanto essas representações realmente estão ligadas ao personagem conhecido como Jesus Cristo.
A maioria de nós tivemos como primeira representação de Cristo um homem branco de olhos verdes ou azuis e com cabelos lisos e compridos, além disso, conhecemos a cruz como o símbolo máximo da redenção dos pecados, por ser o objeto no qual Jesus Cristo foi morto para limpar a humanidade dos seus pecados. Por serem representações tão amplamente aceitas normalmente não existem questionamentos sobre a fidelidade delas, ou em caso de questionamento, o questionador sempre será desconsiderado. Nesse artigo trago essa proposta de questionar essas representações e o quão lógico é dizer que a modelo Viviany Beleboni feriu diretamente a imagem de Jesus Cristo.
Os judeus eram contra a representação da imagem de Cristo, com receio que ela fosse adorada, de forma que a primeira representação só aconteceu no século III com o objetivo de converter mais pessoas ao cristianismo. Podemos dizer que a igreja tem um grande pioneirismo nas estratégias de Marketing pelas formas e representações criadas. A imagem do Cristo branco, de barba fina e cabelos ondulados surgiu na época das cruzadas, quando os não-brancos representavam os pagãos, dessa forma Jesus foi moldado de acordo com a face daqueles que se professavam verdadeiros adoradores dele. Tudo isso, mostra um uso inapropriado e total desrespeito a representação do Cristo, quando foi apenas instrumento de opressão diante de exércitos de sanguinários de guerra.
A representação da cruz é a mais controversa. Visto que quando Jesus Cristo morreu a crucificação era algo inexistente. A pena de morte era praticada por pregar a pessoa em um madeiro, ou poste reto. O símbolo da cruz foi inserido em um concílio da Igreja Católica por meio de um pagão recém convertido que era adorador do deus Tamuz, cujo símbolo é um T ou uma cruz. Por ele ser influente, ter um grande exército e ser essencial no momento para a igreja, o símbolo do deus Tamuz foi associado a figura de Jesus Cristo como meio de angariar ele e seu exército para servir aos objetivos da igreja, assim como também foi lhe assegurado poder e riqueza.
Daí vem a questão, existe blasfêmia maior dentro da doutrina cristã do que associar o símbolo de um deus pagão a imagem de Jesus Cristo? A maior blasfêmia contra Cristo é praticada atualmente com aqueles que se dizem cristãos e concordam em reconhecer a cruz como símbolo da redenção de seus pecados, por ser ele um símbolo pagão e proibido de ser adorado pela Bíblia. Dessa forma existe uma completa contradição na própria adoração praticada pelos cristãos que os leva inconscientemente a praticar a blasfêmia simplesmente quando pensam em uma representação de Cristo.

Voltando para a Parada Gay e citando a performance da modelo pelo seu mérito artístico, a performance representa a dura perseguição que tem sido infligida aos LGBT's no Brasil. Perseguição essa em muito comandada por deputados e outras autoridades evangélicas. Mostrando que eles estão na posição de opressor, enquanto tem como símbolo máximo a representação de um oprimido, o Cristo. A figuração dentro daquilo que eles conhecem como a representação do Cristo, embora seja encarado por alguns como uma afronta, é uma forma de fazer com que entendam mais de perto por usar um referencial que é conhecido e respeitado por eles.
Por fim um grande objetivo foi conseguido, chocar a sociedade e gerar uma discussão em torno do assunto. Por outro lado vimos o quão opressora a igreja é quando o assunto é a liberdade de questionar sobre os seus símbolos que são impostos por padrão há muitos pelas religiões, mas ao mesmo tempo, se acha no direito de julgar aqueles que pensam diferente como merecedores da morte, até mesmo tentando pelos espaços de poder tirar os direitos que lhe são constitucionalmente garantidos. Fica aqui o meu grande abraço para Viviany Belebony por sua coragem, sua arte, pelo poder de tocar no eco daquilo que se identifica como cristianismo, embora funcione apenas como mais uma ferramenta de opressão disfarçada de bote salva-vidas dos oprimidos
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