Como passar na OAB "sem se acabar de estudar"?
Publicado por Matheus Galvão
Durante o curso de Direito, nunca me estressei com estudos, ao contrário de muitos colegas. Enquanto antes da prova todos estavam se descabelando com anotações exageradas e ansiosos, eu estava calmo, brincando, "na minha". Digo sempre que existem quatro coisas que me ajudaram muito na faculdade: objetividade,tranquilidade, leitura e observação.
Com o Exame de Ordem, não foi diferente. Em fevereiro deste ano (2015) eu me formei e, a princípio, não faria a prova da OAB. Como não pretendia advogar, decidi esperar. Mas insistiram e eu acabei fazendo a minha inscrição. Os 220,00 reais mais chorados de minha vida.

A primeira fase
Ninguém em sã consciência acha que aprendeu tudo na faculdade. Aliás, ninguém precisa aprender tudo na faculdade, mas precisa pelo menos compreender os princípios básicos da profissão e da prática.
A primeira fase cobra conteúdos de todas as disciplinas básicas em uma prova objetiva e você precisa acertar 40 das 80 questões. Então eu foquei em um objetivo: fazer 40. Objetividade. Para isso, comprei um livro - resumo de Ética Profissional. Uma das estratégias mais comuns é acertar todas as questões de ética e garantir uma boa parte da prova.
Depois, foquei nas matérias que mais gostava: Constitucional, Administrativo, Tributário e Processo Civil. Já disse que não dá para aprender tudo, muito menos acertar tudo, então foque nas disciplinas que você tem mais interesse e afinidade.
Resumos ajudam sim. Esqueça os preconceitos. Já condenei muito os resumos, mas na hora de uma prova crucial como esta eles são mais do que necessários. Só não aconselho a usarem para estudar durante a faculdade, mas para se preparar para uma prova como a OAB ele é fundamental.
Os joguinhos são o máximo. Estudei, também, resolvendo questões peloEndireitados, um Quiz com questões da OAB. Ele me ajudou a identificar os pontos mais deficientes no meu estudo, o que me fez focar nos assuntos que eu mais tinha dificuldade, especialmente nas matérias que eu não gostava.
Muita calma na hora da prova. Como falei, sempre fui tranquilo e na hora da prova eu estava com minha sandália Havaianas, bermuda e camisa, uma água, um biscoito Bono e um sorriso maroto. Resultado, cumpri meu objetivo. Fiz 40. Detalhe: cravado.
A segunda fase
Passado o pior, vinha agora a segunda fase: focada em uma área específica, a coisa fica "menos pior".
Eu nunca tive uma boa prática jurídica, não estagiei em escritório, apenas em gabinete de Juiz Federal, não sabia fazer uma peça, só o básico do que eu via passar por mim nos processos. Nunca fui um Mike Ross, mas tenho uma memória visual mediana, o que me ajudou na peça processual.
Saiba escolher a disciplina. Eu diria que existem duas formas de escolher em qual área do direito fazer a segunda fase. Uma é aquela que você tenha estagiado e tenha experiência prática, o que te dá uma segurança forte. A outra: é a que seja mais fácil de estudar. No meu caso, fui pela segunda. Escolhi Direito Tributário, pois sempre fui curioso na disciplina. Além disso, ela é compacta e tem poucas peças.
Estudei Mandado de Segurança como um louco. Caiu Apelação. Nessa hora, eu fui no Vade Mecum - é, você pode usar ele, sim! - dei uma revisada em recursos e me vali também da minha memória visual (os vários recursos do tempo da 4ª Vara Federal). Deu certo.
Mais uma vez os resumos. A prova da segunda fase não é um bicho de sete cabeças. Não. Ela é objetiva. Você deve responder o que eles perguntam. E o melhor: você pode consultar.
No meu caso eu preferi dar atenção às questões (tanto nos estudos quanto na hora da prova), mais do que à peça processual. Por quê? Porque eu não sabia fazer a peça 100%. Durante os estudos comprei um Vade Mecum Prática Tributária, dei uma lida no resumo da teoria e nos modelos e pronto.
Marque o Vade Mecum. Para você criar familiaridade com o seu material de consulta, o melhor é que você o estude antes e faça as marcações que são permitidas.
Faça as questões de provas anteriores. Esta dica não é novidade para ninguém. Entender o modelo da prova e sentir na pelé como se resolve as questões é essencial para fazer uma boa prova e sentir mais segurança durante a sua resolução.
Vídeos. Assistir vídeos ajuda muito a internalizar os conteúdos. Ver e ouvir estimula muito mais o aprendizado. Falando nisso, em breve tem novidade no JusBrasil, aguardem:)
No dia 17 de maio, fui para a prova tranquilo, mais uma vez. Eu diria que tranquilidade é 50% da prova. Ontem, meu nome estava na lista.
Como falei, a prova não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. É óbvio que você precisa dos conhecimentos adquiridos ao longo do curso, mas se você for objetivo,tranquilo e atencioso na leitura dos conteúdos, tudo dá certo.
Parabéns aos aprovados no XVI Exame de Ordem e sucesso na profissão. Eu diria que agora existe uma estrada longa pela frente. Agora é a hora da verdade, seescolheu a advocacia, ela é a sua realidade.
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