A pedido do MP/AL, Justiça decreta indisponibilidade de bens de ex-gestores
Acolhendo
pedido liminar em ação civil pública pela prática de ato de improbidade
administrativa, proposta pela Promotoria de Justiça do município de
Limoeiro de Anadia e pelo Núcleo de Defesa do Patrimônio Público do
Ministério Público Estadual de Alagoas, o juiz daquela comarca, Phillipe
Melo de Alcântara Falcão, determinou a indisponibilidade dos bens do
ex-prefeito Jorge Nivaldo Ribeiro de Albuquerque e dos ex-secretários
municipais Luiz Eduardo Lopes Cavalcanti, Sebastião Vieira de Souza,
Sidnaldo Vieira de Souza, Rafael Ribeiro de Albuquerque, José Alberto
Oliveira Silva e Edjaria Elpídia Silva Santos.
Os réus são acusados pelo
MP/AL de terem desviado quase R$ 6 milhões dos cofres públicos em
apenas três anos.
Em
números mais precisos, de acordo com as investigações do Ministério
Público que começaram no início de 2012, sob o comando do ex-gestor
Nivaldo Ribeiro, R$ 5.887.351,19 foram desviados das contas da
Prefeitura de Limoeiro de Anadia - cidade localizada no Agreste alagoano
-, durante os anos de 2005 a 2008.
As
fraudes aconteciam através da emissão de empenhos, ordens de pagamento e
atestados de recebimento de bens e emissão de cheques. Para comprovar o
modo criminoso de atuação dos acusados, os promotores de Justiça
analisaram 833 notas fiscais e recibos falsos. Todos eles são referentes
a supostas despesas para aquisição de produtos diversos e, somados,
representam o montante indevidamente sacado para pagamento, sem o
regular documento fiscal comprobatório.
Após
longa investigação, a Promotoria de Limoeiro de Anadia e o Núcleo de
Defesa do Patrimônio Público constataram que tais notas e recibos não
tinham qualquer validade, fato que foi confirmado por perícia técnica
realizada pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz). Além disso, as
empresas que tiveram documentos falsificados em seus nomes, confirmaram
ao Ministério Público que jamais venderam mercadorias aquele Município.
Segredo de Justiça
A
instrução da ação civil pública por ato de improbidade administrativa
deverá ter início nos próximos dias. Entretanto, o magistrado decretou
segredo de justiça na sua tramitação porque as investigações envolvem
quebras de sigilos.
“Nós
ficamos escandalizados diante da grandiosidade da fraude. E os desvios
parecem que não param por aí. As investigações continuam, só que, dessa
vez, com relação a outros tipos de crime. Há fortes indícios que indicam
que um valor maior do que aquele até agora encontrado, também fora
desviado dos cofres da Prefeitura de Limoeiro de Anadia”, explicou José
Carlos Castro, coordenador do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público do
MP/AL.
Caso
condenados por esses atos, os acusados poderão ser punidos com a perda
da função pública, caso estejam exercendo-as no dia do julgamento,
suspensão de direitos políticos por até 10 anos, pagamento de multa,
além do ressarcimento dos danos causados ao erário. A ação recebeu o nº
0000400-78.2013.8.02.0017.
“Ainda
é importante informar que, em paralelo, o Ministério Público ofertou
uma ação penal contra os mesmos acusados, que agora também respondem
pelos crimes de responsabilidade, falsidade ideológica, uso de documento
falso e formação de quadrilha”, acrescentou José Carlos Castro.
Fonte: Ministério Público de Alagoas
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