Governo vai cuidar das licenças ambientais
Concessionários que ganharem leilão de rodovias vão poder ‘pular’ essa etapa
O
governo vai permitir que obras de duplicação das rodovias federais
cujos leilões vão começar a partir do mês que vem comecem pulando uma
etapa considerada um gargalo para os investimentos em infraestrutura: a
emissão das licenças ambientais.
Nos trechos de até 25 km
em que não houver vegetação, as obras poderão começar em questão de
dias após a transferência da rodovia para o concessionário. Bastará,
para isso, um relatório elaborado pela Empresa de Planejamento e
Logística (EPL) ao Ibama, demonstrando que não há impacto para o
ambiente. A alteração reduz o risco financeiro dos concessionários, por
isso o governo espera que eles barateiem o pedágio. A expectativa é que
os leilões sejam bastante concorridos. Vencerão os que se propuserem a
cobrar menos.
A
rapidez na obtenção das licenças é considerada crítica pelas
construtoras, porque elas só poderão cobrar pedágio após concluir 10%
das duplicações. Assim, quanto mais os entendimentos com os órgãos
ambientais atrasarem, mais elas demorarão a gerar caixa. E isso pode
desarranjar toda a engenharia financeira que determinou o valor das
tarifas.
Com
a autorização rápida, porém, esse risco praticamente desaparece,
segundo informa o governo. Nas rodovias que avaliamos, há trechos sem
vegetação suficiente para que sejam feitos os 10% das obras de
duplicação, informou ao Estado o diretor da EPL Hederverton Santos. Não
haverá atrasos por causa do licenciamento ambiental. Esse é o caso, por
exemplo, das BRs 050 e 262, que vão a leilão no dia 18 de setembro.
Licença
do governo. O relatório da EPL será repassado ao Ibama, que fornecerá
uma autorização rápida para as obras. Paralelamente a essa permissão,
correrão os processos normais de licenciamento ambiental para todo o
trecho rodoviário concedido. E, nesse ponto, há outra novidade: a tarefa
de conseguir as licenças será do governo, e não dos concessionários. A
mudança é comemorada pelo setor privado.
Para
essa inovação, contribuiu a análise do Tribunal de Contas da União
(TCU). Os auditores consideraram que, da forma como o leilão estava
proposto, haveria um risco grande para os concessionários. Isso porque o
governo fixou um prazo de cinco anos para todos os trechos estarem
duplicados. Porém, o processo de licenciamento é complexo e, em alguns
casos, pode demorar 30 meses.
Custos.
Ficou acertado que o governo obterá as licenças e fará os estudos
ambientais necessários. Os valores gastos na elaboração desses estudos
serão depois ressarcidos pelo concessionário.
O
contrato prevê que as licenças prévia e de instalação serão entregues
em até 12 meses para o concessionário. Se esse prazo não for cumprido,
ele terá direito ao reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Ou
seja, poderá haver aumento na tarifa.
O mesmo tratamento será dado às ferrovias que o governo pretende conceder.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
Comentários
Postar um comentário