Destinação dos royalties do petróleo provoca novo embate entre parlamentares
A
audiência pública da comissão especial que analisa a medida provisória
que trata da destinação dos royalties para a educação (MP 592/12) foi
palco de novos debates sobre a distribuição desses recursos entre
estados e municípios.
A
suspensão temporária pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da lei
(12.734/12) que redistribui os royalties provocou novo embate entre
parlamentares do Rio de Janeiro, principal estado produtor, e
representantes de estados não produtores.
Durante
a audiência, o presidente da Confederação Nacional dos Municípios,
Paulo Ziulkoski, chegou a defender que a Constituição fosse alterada
para garantir a distribuição imediata dos recursos e não apenas dos
contratos futuros.
Emenda à Constituição
O
deputado Ronaldo Caiado (DRM-GO) admite essa possibilidade, mas vai
aguardar que o STF decida definitivamente sobre a questão, o que deve
ocorrer em abril. Nós esperamos que a decisão seja revista pelo
julgamento do Supremo. Não ocorrendo isso, o que nós vamos propor:
adequar o sentimento político do Congresso Nacional – 354 deputados e 54
senadores – que querem hoje uma nova distribuição dos royalties”, disse
o parlamentar, se referindo ao placar da votação que derrubou os vetos à
proposta dos royalties.
Na
avaliação do deputado, “a maneira é exatamente alterar a Constituição
brasileira apresentando uma proposta que seja compatível com essa
vontade política que já ficou explícita em todas as votações do
Congresso Nacional.
Negociação de acordo
Deputados
fluminenses questionaram a interpretação. Alessandro Molon (PT-RJ)
disse que o Supremo pode considerar a emenda inconstitucional como fez
no caso dos precatórios. Já o deputado Antony Garotinho (PR-RJ) fez um
apelo para que a comissão especial não retome esse debate e se dedique a
definir o destino dos royalties dos contratos futuros.
Se
toda vez que a Constituição contrariar a vontade de uma maioria
ocasional, ela for mudada, a nossa Constituição vai virar uma colcha de
retalhos, muda-se daqui, emenda-se dali”, disse Garotinho. “Então, não é
bom que a gente tenha uma Constituição de ocasião.
O
relator da medida provisória, deputado Carlos Zarattini (PT-SP) ainda
acredita que a comissão pode chegar a um acordo. Nós estamos vivendo um
impasse total. Ninguém sabe dizer o que o STF vai decidir amanhã. Por
que nós vamos deixar na mão do STF uma solução, quando nós aqui, os
deputados, senadores, os governadores, o governo federal, podemos chegar
a um acordo? Nós temos a oportunidade de usar a MP para produzir esse
acordo, é uma boa oportunidade que temos pela frente.
Educação e Ciência
Na
audiência pública desta terça-feira, a Sociedade Brasileira pelo
Progresso da Ciência e a Campanha Nacional pelo Direito à Educação
defenderam que os recursos da exploração do petróleo fossem destinados à
Educação e à Ciência.
No
dia 3 abril, a comissão vai ouvir o ministro da Educação, Aloizio
Mercadante. No dia 4, Zarattini prometeu apresentar seu parecer.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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