Comissão discute desoneração de planos de saúde
A
possibilidade de o governo desonerar planos de saúde e a qualidade dos
serviços prestados pelo segmento serão discutidas em reunião da Comissão
de Defesa do Consumidor da Câmara, na próxima quarta-feira (10).
Conforme matérias que vêm sendo publicadas pela imprensa, técnicos do
governo estudam formas de reduzir os custos das operadoras em troca de
um reajuste menor para os planos, previsto para ocorrer no próximo mês.
Em
audiência pública realizada na Câmara, a deputada Jandira Feghali
(PCdoB-RJ) questionou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, sobre a
possível desoneração. “Nós não podemos admitir que o Poder Público
retire recursos de programas básicos de vacina, de medicamentos da
população, para incentivar planos privados, que cobram da população para
fazer atendimento”, afirmou a parlamentar, autora de um dos
requerimentos para o debate com o ministro.
O
ministro da Saúde negou essa possibilidade, mas defendeu que se discuta
a sustentabilidade do setor de planos de saúde, em expansão no Brasil
devido ao aumento da formalização dos trabalhadores e da renda. “A
cidade de São Paulo tem uma região quase quatro milhões de habitantes
sem um hospital privado, sendo que 50% dessa população tem planos de
saúde”, afirmou o ministro, citando matéria veiculada na imprensa.
O
ministro defendeu que a necessidade de pensar em formas de financiar, o
que não significa “pegar dinheiro do SUS”. “São linhas de financiamento
que podem ser feitas, pensar quais são os juros, como estimular isso,
para que você expanda também a rede de hospitais privados ou
filantrópicos que possam servir tanto ao SUS quanto à saúde
suplementar”.
Choque
Na
mesma audiência pública, o deputado Ivan Valente (Psol-SP) se disse
chocado diante da possibilidade de o governo desonerar as empresas de
planos de saúde, ou seja, reduzir tributos federais do segmento e, com
isso, deixar de arrecadar determinado valor, como forma de estimular
aquele setor econômico.
No
caso da saúde e na desqualificação desse setor privado da saúde, esse
comércio da saúde, que virou mercadoria, utiliza a saúde do cidadão para
ganhar dinheiro, para lucrar, eu acho que transferir recursos de
qualquer tipo - incentivo, desoneração, criação de planos paralelos - é
enfraquecer o SUS”, afirmou o parlamentar. Segundo ele, é crescente o
número de portadores de doenças crônicos e de idosos são atendidos pelo
SUS, e não pelo setor privado. “Isso é plano para o setor jovem, é para
ganhar dinheiro”, avaliou.
Foram
convidados para a audiência pública da quarta-feira, na Comissão de
Defesa do Consumidor, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a
Federação Nacional de Saúde Suplementar e órgãos de defesa do
consumidor.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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