Compra de votos é crime eleitoral e causa cassação e inelegibilidade
A
captação ilícita de sufrágio (compra de votos) é ilícito eleitoral
punido com a cassação do registro ou do diploma do candidato e multa, de
acordo com o artigo 41-A da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), e
inelegibilidade por oito anos, segundo a alínea ‘j’ de dispositivo do
artigo 1º da Lei Complementar nº 64/90 (Lei de Inelegibilidades), com as
mudanças feitas pela Lei da Ficha Limpa (LC nº 135/2010).
O
ilícito de compra de votos está tipificado no artigo 41-A da Lei das
Eleições (Lei nº 9.504/1997). Segundo o artigo, constitui captação de
sufrágio o candidato doar, oferecer, prometer ou entregar, ao eleitor,
com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer
natureza, inclusive emprego ou função pública, desde o registro da
candidatura até o dia da eleição, inclusive, sob pena de multa de mil a
cinquenta mil Ufir, e cassação do registro ou do diploma. Além da Lei
das Eleições, o Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965) tipifica como crime
a compra de votos (artigo 299). Prevê pena de prisão de até quatro anos
para aqueles que oferecem ou prometem alguma quantia ou bens em troca
de votos, mas também para o eleitor que receber ou solicitar dinheiro ou
qualquer outra vantagem, para si ou para outra pessoa (artigo 299).
Já
a alínea ‘j’ do inciso I do artigo 1º da LC 64/90 (alterada pela LC
135/2010 - Lei da Ficha Limpa) afirma que são inelegíveis, pelo prazo de
oito anos a contar da eleição, os condenados, em decisão transitada em
julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, por
corrupção eleitoral, por captação ilícita de sufrágio (compra de votos),
por doação, arrecadação ou gastos ilícitos de recursos de campanha ou
por conduta vedada aos agentes públicos em campanhas eleitorais que
impliquem cassação do registro ou do diploma.
A
Justiça Eleitoral pune com muito rigor, conforme a lei, quem tenta
influenciar a vontade do eleitor com a prática de compra de votos. Isto
porque, pela legislação, o direito do cidadão ao voto livre, consciente e
soberano é um bem juridicamente tutelado, devendo quem comete o ilícito
sofrer as sanções que a lei estipula.
No
entanto, a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já fixou
alguns pontos sobre a questão. Para o TSE, para alguém ser condenado
por compra de votos não é necessário verificar a potencialidade da
conduta (comprar um voto já é crime); é preciso que haja provas robustas
e firmes contra o acusado para condená-lo; e para caracterizar o crime é
indispensável a prova de participação direta ou indireta dos acusados,
permitindo-se até que esta seja na forma de explícita anuência dos
denunciados em relação à conduta praticada, não bastando, para
configurar o ilícito, o proveito eleitoral que com os fatos tenham
obtido, ou a presunção de que desses tivessem ciência.
A
Lei nº 12.034/2009 (minirreforma eleitoral) incluiu no artigo 41-A da
Lei das Eleições não ser necessário o pedido expresso de voto para
caracterizar o crime. Diz o parágrafo primeiro do artigo: “para a
caracterização da conduta ilícita, é desnecessário o pedido explícito de
votos, bastando a evidência do dolo, consistente no especial fim de
agir”.
Ou
seja, para caracterizar a compra de votos é preciso que ocorram, de
modo simultâneo, os seguintes requisitos: prática de uma das condutas
previstas no artigo 41-A da Lei nº 9.504/1997; fim específico de obter o
voto do eleitor; e participação ou anuência do candidato beneficiário
na prática do ato.
“O
eleitor deve procurar a Justiça Eleitoral e, principalmente, o
Ministério Público Eleitoral (MPE), o promotor eleitoral da localidade,
levar os fatos, as suspeitas, fazer uma declaração formal e pedir que o
promotor investigue. Ele com certeza fará isso”, afirma João Fernando
Carvalho, especialista em Direito Eleitoral.
Segundo
ele, é importante também esse “movimento de cidadania, esse movimento
do eleitor individual para combater esse grande mal que assola a
democracia brasileira, que é a corrupção”.
A
representação denunciando alguém por compra de votos pode ser ajuizada a
partir do pedido de registro da candidatura até a data da diplomação.
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral
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