Sancionado projeto que cria regras para convênios entre poder público e ONGs
O
projeto de lei que cria um novo marco legal para as organizações não
governamentais (ONGs) foi sancionado nesta quinta-feira (31) pela
presidente Dilma Rousseff. A proposta teve origem no Senado e foi
aprovada na Câmara dos Deputados no início do mês (PL 7168/14).
A
nova lei define regras para a relação de ONGs com os governos federal,
estaduais e municipais. De acordo com o texto, as ONGs terão de
participar de processo seletivo (chamada pública) e cumprir uma série de
exigências para celebrar parcerias com os governos. Entre os requisitos
estão, por exemplo, a comprovada experiência no serviço a ser prestado,
a ficha limpa e, pelo menos, três anos de criação.
As
regras pretendem evitar o favorecimento de grupos específicos e a
escolha de entidades sem preparo técnico ou estrutura para o cumprimento
dos projetos.
Ao
sancionar a nova lei, Dilma Rousseff ressaltou o papel das ONGs como
parceiras fundamentais” do Estado na implementação de políticas
públicas. Esta sanção representa um grande avanço para a democracia no
Brasil e passa a tratar, de forma institucional, as organizações da
sociedade civil como entes legítimos que se relacionam com o Estado
brasileiro, afirmou.
Participação da sociedade
A
lei, que só entrará em vigor em novembro (90 dias), também amplia as
formas de participação da sociedade por meio do Procedimento de
Manifestação de Interesse Social. Será um instrumento para qualquer
cidadão ou movimento social organizado apresentar diagnósticos e
propostas de ações ao poder público.
A
diretora da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais
(Abong), Vera Masagão, ressaltou o aspecto suprapartidário da lei e o
desafio, agora, de regulamentá-la, sobretudo junto aos estados e
municípios.
Uma
grande vitória foi a gente ter conseguido uma aliança forte de vários
partidos, o que traduz um consenso bastante amplo. Apesar de todos os
reveses e criminalizações, as organizações e os movimentos sociais no
Brasil nunca deixaram de estar presentes nestes 20 anos, ganhando espaço
e construindo políticas inovadoras e conquistando novos direitos nos
mais diferentes terrenos, disse a diretora da Abong.
O
marco regulatório surgiu de uma proposta do senador Aloysio Nunes
Ferreira (PSDB-SP). Foi aprovado na Câmara mediante consenso entre todos
os partidos, como destacou, na ocasião, o presidente da Casa, Henrique
Eduardo Alves.
Combate à corrupção
Para
o deputado Chico Alencar (Psol-RJ), a lei pode inibir a corrupção e
tornar mais transparente a relação entre ONGs e governos. As
organizações não governamentais só ajudam o País continuando nesta
condição. O texto tem o mérito de regulamentar as relações da
administração pública com essas organizações, que devem manter a sua
autonomia, o seu sentido social, a sua independência e o seu compromisso
com a população. Assim, o Brasil avançará, disse.
De
acordo com a nova lei, o monitoramento das ações previstas nas
parcerias com ONGs caberá à administração pública, que poderá contar com
o apoio de sistemas de controle interno e de outros órgãos próximos ao
local de aplicação dos recursos.
Vetos
A
Casa Civil da Presidência da República não informou se houve vetos ao
texto, que será publicado na edição desta sexta-feira do Diário Oficial
da União.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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