Deputado defende diálogo com estados para reduzir ICMS sobre remédios
O
presidente da Frente Parlamentar para a Desoneração dos Medicamentos,
deputado Walter Ihoshi (PSD-SP), disse que a frente vai pedir aos
governos estaduais a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços (ICMS) sobre medicamentos. O deputado considera ser mais
eficaz dialogar diretamente com os estados, já que a aprovação de
projetos de desoneração no Congresso Nacional pode demorar muito.
O
ICMS, na média, é de 17% em quase todos os estados. No estado de São
Paulo e nos estados do Sudeste, é de 18%. Estamos conversando em São Paulo
com o secretário da Fazenda e também iniciamos conversações com o
governador Geraldo Alckmin. Essa ação por parte dos nossos
parlamentares, em todos os estados, vai ser muito importante, disse
Ihoshi.
A
declaração foi feita em audiência pública promovida nesta quarta-feira
(21) pela Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara, na qual foi
discutida a redução de impostos para os remédios. Ihoshi foi quem pediu a
realização do debate, juntamente com o deputado José Carlos Araújo
(PSD-BA).
Paraná
Walter
Ihoshi afirmou que a experiência do Paraná na redução do ICMS sobre
medicamentos vai ser apresentada aos outros estados. O estado conseguiu
aumentar a arrecadação do ICMS que incide sobre os remédios, mesmo
diminuindo a alíquota incidente tanto na indústria farmacêutica quanto
no comércio varejista e atacadista de remédios. A desoneração aconteceu a
partir de 2008.
Na
audiência, o coordenador de Assuntos Econômicos da Secretaria de
Fazenda do Paraná, Francisco Inocêncio, explicou que, em 2006 e 2007, o
governo estadual arrecadou em torno de R$ 50 milhões com o ICMS sobre
medicamentos. Depois da desoneração, em 2010, o valor subiu para R$ 172
milhões.
Francisco
Inocêncio contou que a expectativa inicial era de que houvesse uma
perda na arrecadação, por isso fez um acordo com o setor, para garantir,
pelo menos, a arrecadação anterior à redução do ICMS. “A nossa surpresa
é que tivemos um aumento da arrecadação do imposto nesse período, um
incremento excelente de arrecadação”, afirmou.
Segundo
ele, esse aumento de arrecadação ocorreu por causa de parcerias e do
estabelecimento de regras para o setor; pela fiscalização; e pelo efeito
multiplicador que ocorreu nas vendas de farmácias no Paraná.
Dados
da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicam que o ICMS
é o imposto que mais pesa no preço dos remédios. A alíquota desse
imposto varia de estado para estado.
PIS e Confins
O
diretor de Acesso da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa
(Interfarma), Pedro Bernardo, destacou que o Brasil é campeão de
impostos sobre medicamentos, se comparado com o resto do mundo. Ele
afirmou que países como Estados Unidos, Canadá e México, por exemplo,
não cobram nenhum tributo sobre os remédios.
Pedro
Bernardo também criticou o atraso do governo federal na desoneração de
PIS e Cofins para alguns remédios. Segundo ele, o governo demora muito
para definir quais medicamentos vão ser beneficiados com a redução dos
12% referentes a esses tributos.
O
diretor da Abifarma destacou que, como novos produtos são lançados
constantemente no mercado, remédios para combater a leucemia, o câncer e
a esclerose múltipla acabam demorando muito para receber a autorização
do governo para a isenção do PIS e da Cofins. Além disso, ele afirmou
que, enquanto o governo federal não publica a lista dos medicamentos que
vão ter a desoneração, os governos estaduais também não concedem a
redução do ICMS para esses mesmos medicamentos.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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