Cientista política diz que magistrados devem se ver como prestadores de serviço público
Pesquisadora
e professora do curso de direito da Fundação Getúlio Vargas de São
Paulo (FGV/SP), a cientista política Luciana Gross Cunha avalia que os
magistrados brasileiros devem ser ver como prestadores de serviço
público e prestar contas regularmente de suas atividades à população.
A
pesquisadora proferiu palestra nesta terça-feira (9) aos 55 juízes do
Paraná e do Piauí que participam do III Curso de Iniciação Funcional de
Magistrados da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de
Magistrados Ministro Sálvio de Figueiredo (Enfam).
Luciana
Gross Cunha avalia que a carreira de juiz é das mais desafiantes do
século XXI. “A magistratura está no olho do furacão”, afirmou. De acordo
com a pesquisadora, a Justiça se tornou o árbitro principal de todas as
disputas da sociedade a partir da Constituição de 1988, o que levou a
um aumento exponencial da litigância desde então.
Para
ela, esse movimento fez com que a sociedade passasse a exigir do
Judiciário “as mesmas responsabilidades e comportamentos dos outros
poderes”.
Legitimidade
Entretanto,
Luciana Gross entende que o Judiciário, apesar das crescentes
expectativas por parte da população, ainda tem dificuldades em assegurar
sua credibilidade frente aos cidadãos. “O Executivo e o Legislativo se
legitimam por meio das eleições. Já o Judiciário tem o desafio de se
legitimar no dia a dia, o que dificulta ao magistrado saber qual é a
percepção da população sobre o seu trabalho”, explicou.
Para
a pesquisadora, por mais que o tempo e os procedimentos do Judiciário
sejam diferentes dos da mídia, da economia e da política, cabe aos
magistrados avaliar, frente às pressões da sociedade, as consequências
de seus atos.
“É
claro que a Justiça feita com pressa não é efetiva. Mas a sociedade
está de olho no trabalho do juiz e cabe a ele gerenciar o andamento de
seus processos. O juiz deve atuar como administrador processual, e não
apenas responder às demandas das partes. Ele deve se ver como parte do
processo”, disse.
Prestar
contas regularmente, ocupar os espaços da mídia e trabalhar para que as
resoluções de conflito não se deem apenas pela via judicial são tarefas
imprescindíveis para a nova magistratura brasileira. “Os senhores devem
provocar a mudança, mas sem usurpar o poder de ninguém. Afinal, os
juízes têm o poder de fazer a diferença e a população percebe quando
isso acontece”, afirmou a palestrante.
Fonte: Superior Tribunal de Justiça
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