Divergências marcam discussão na CCJ sobre uso de aromatizantes em cigarros
Deputados
da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) divergiram,
nesta terça-feira (9), sobre o projeto (PDC 3034/10) que anula os
efeitos da resolução da Anvisa que veda o uso de aditivos para alterar o
aroma de produtos derivados do fumo, como o cigarro. A meta da agência é
proibir a indústria de fumo de utilizar aromatizantes e flavorizantes,
como cravo, mentol e outras substâncias em seus produtos.
Depois
de quase duas horas, a análise da proposta precisou ser adiada por
conta do início da Ordem do Dia do Plenário. Pelo Regimento Interno da
Câmara, não pode haver deliberação nas comissões e no Plenário ao mesmo
tempo.
Polêmica
Para
o autor do projeto, deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), ao pretender a
proibição dos aromatizantes, a Anvisa extrapola os poderes a ela
conferidos por lei, usurpa uma prerrogativa do Legislativo e traz
consequências negativas para os produtores. “A resolução vai prejudicar
250 mil famílias de agricultores e, indiretamente, toda a cadeia
produtiva do tabaco”, disse Heinze.
Por
outro lado, parlamentares favoráveis à vedação defendem a prerrogativa
da agência de legislar sobre o assunto. Segundo o deputado Cesar Colnago
(PSDB-ES), que é médico, quando o tema diz respeito à saude ou à
letalidade da população, a Anvisa tem, sim, a prerrogativa de
regulamentar.
Em
decisão liminar, a Justiça Federal já suspendeu, temporariamente, as
ações da Anvisa. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também foi
ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a constitucionalidade
da medida.
Prerrogativas
A
divisão de opiniões ficou explícita quando um requerimento que pedia a
retirada de pauta da proposta foi rejeitado por 20 votos a 19. “Está
comprovado que o tabaco é responsável por 95% dos casos de câncer de
boca, por 80% dos cânceres de pulmão e por 45 % das doenças
coronarianas”, destacou Colnago. “E nós vamos aqui sustar uma resolução
que beneficia a saúde da população?”, questionou. Para ele, o País não
estaria prejudicando os produtores de fumo, que poderiam continuar
produzindo cigarros sem os referidos aditivos, ou ainda, produzir com
aditivos apenas para exportação.
Por
sua vez, o deputado Moreira Mendes (PSD-RO) ressaltou que o debate não é
sobre os malefícios do cigarro à saúde humana, mas, sim, a respeito da
legitimidade da agência para regular a matéria. “Não estamos discutindo
se a liberação dos aromatizantes em cigarros é legal ou não. Eu,
pessoalmente, sou contra o fumo, porém aqui defendo a legalidade”,
comentou o deputado, que representa a bancada ruralista. “E por não
abrir mão da legalidade, sou a favor de derrubar essa resolução, que foi
feita ao arrepio da lei”, completou.
O
deputado Efraim Filho (DEM-PB) tem a mesma opinião: “A Anvisa, de forma
sorrateira, extrapolou as competências a ela conferidas por lei e
usurpou o papel do Poder Legislativo”, reforçou.
Riscos à saúde
Já
o deputado Alessandro Molon (PT-RJ) entende que a crítica de que a
Anvisa estaria extrapolando uma prerrogativa do Congresso não se
justifica, uma vez que o próprio Legislativo, em três oportunidades, já
votou favoravelmente à proibição. “O Congresso já votou pela proibição
desses aditivos quando aprovou, em 2005, a
Convenção Quadro para o Controle do Tabaco e quando, ainda nesta
legislatura, rejeitou a inclusão na Medida Provisória 540/11 da
tentativa de legalizar esses aditivos”, citou. Molon também sustentou
que a Lei 9.782/99 assegura à Anvisa a competência de regular, controlar
e fiscalizar produtos que envolvam risco à saúde humana.
Antes
de chegar à CCJ, o projeto de Heinze foi aprovado na Comissão de
Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e rejeitado
na Comissão de Seguridade Social e Família.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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