Falta de acordo entre partidos impede votações da reforma política
Por
falta de acordo entre os partidos, o Plenário encerrou a sessão
extraordinária de ontem (9) sem votar a Proposta de Emenda à
Constituição 3/99, que prevê a coincidência dos mandatos e das eleições
gerais e municipais. Por decisão dos líderes partidários, esse foi o
único ponto incluído na pauta de votações. Nesta quarta-feira (10),
haverá uma nova tentativa de votar a PEC.
A
inclusão da proposta na pauta foi a alternativa encontrada por alguns
líderes partidários para substituir o relatório sobre a reforma política
elaborado pelo deputado Henrique Fontana (PT-RS).
A
proposta de Fontana é mais ampla: além da coincidência das eleições,
trata do financiamento público exclusivo de campanhas (PL 1538/07); do
fim das coligações para eleições proporcionais (PEC 10/95); da
instituição de uma lista flexível de candidatos; e da simplificação do
processo de apresentação dos projetos de iniciativa popular.
Com
a decisão dos líderes, o PT anunciou a intenção de recolher assinaturas
para que parte das propostas de Fontana seja apresentada na forma de um
projeto de iniciativa popular. “Votar só a coincidência de mandatos é
um arremedo de reforma que não responde à necessidade do País”, declarou
o líder do PT, deputado José Guimarães (CE).
O
líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), concorda com a análise de
uma proposta de iniciativa popular, desde que trate de alguns pontos
específicos. Seria o caso de ter uma iniciativa popular, mas desde que a
prioridade fosse a lista preordenada junto com o financiamento. Mas não
inverter essa prioridade, porque não podemos contaminar dinheiro
público com caixa 2.
Apesar
da redução no conteúdo da reforma política, o presidente da Câmara,
Henrique Eduardo Alves, avaliou que a votação da coincidência de
eleições seria “o primeiro passo” para mudanças mais amplas do sistema
político eleitoral. Alves, porém, se disse frustrado com a não votação.
“Já estou cansado de esperar consenso sobre a reforma política. É hora
de começar a votar. A Casa não pode ficar a vida inteira empurrando com a
barriga esse assunto.”
Financiamento público
Henrique
Fontana também se disse frustrado, pois esperava começar a votação pelo
financiamento público de campanha. “Infelizmente, a decisão dos líderes
foi de não votar a reforma política ampla, como o Brasil precisa, pois
não houve concordância para dar urgência para o projeto de lei [do
financiamento público]. Eu defendi que a bancada que tivesse a posição
contrária apresentasse emenda para mudar o relatório. Infelizmente, o
Parlamento faltou com o compromisso de votar a reforma politica”, disse
Fontana.
Henrique
Alves alegou que as propostas de Fontana não estavam habilitadas para
análise do Plenário. De acordo com o presidente, como a PEC que muda as
regras das coligações para eleições proporcionais ainda não obteve aval
de uma comissão especial, uma das alternativas para habilitá-la à
votação seria que ele tivesse chamado para si a responsabilidade de
autorizar a votação em Plenário.
Alves,
contudo, disse que queria o consenso dos líderes para tomar essa
decisão. Como isso não ocorreu, decidiram que a PEC deveria seguir o
trâmite normal no Legislativo. “A grande maioria entendeu que deveria
seguir o procedimento normal, aguardando o parecer da comissão especial
para então levar ao Plenário”, disse. Em relação ao projeto de lei sobre
financiamento público, havia a necessidade de ele ter sua urgência
aprovada para que fosse votado em Plenário.
Liderados
pelo PT, diversos partidos foram contrários à PEC 3/99 porque ela
representa uma reforma “fatiada”. “Não é razoável para nosso Parlamento
reduzir o debate da reforma política à aprovação de uma PEC de
coincidência de eleições. Não é uma reforma, é uma tentativa de dizer
que não foi possível, e fizemos alguma coisa”, disse Guimarães.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
Comentários
Postar um comentário