Haddad quer liberar creches até em bairros tombados e áreas ambientais
O
prefeito Fernando Haddad (PT) enviou projeto à Câmara que libera a
construção de creches e postos de saúde em qualquer bairro de São Paulo,
até nas ruas sem saída e nas áreas de proteção permanente. A mudança
vale para zonas estritamente residenciais, incluindo bairros tombados
como City Lapa e Pacaembu, na zona oeste, e Jardim Paulistano, na zona
sul. Nesses locais, os equipamentos públicos de saúde, educação e
assistência social poderão ser construídos sem nenhuma restrição.
Pelo
projeto, Haddad acaba com qualquer tipo de limite de horário de
funcionamento para escolas, que também não precisam ter mais área de
embarque e desembarque. As creches poderão ser instaladas em ruas com
largura inferior a 10 metros,
restrição que hoje dificulta a construção de unidades de ensino
infantil em bairros da periferia. Por determinação do Tribunal de
Justiça de São Paulo, até 2016 a gestão atual precisa cumprir sua meta de construir 243 creches e criar 155 mil vagas para crianças entre zero e 4 anos.
A
proposta altera a Lei de Zoneamento em meio ao debate sobre o novo
Plano Diretor, em discussão no Legislativo. Na prática, essas novas
regras deveriam ser estabelecidas na proposta em debate ou em audiências
públicas do Legislativo, iniciadas em novembro. É uma necessidade
urgente, não podemos esperar um ano e meio de (discussões do) Plano
Diretor para facilitar a construção das escolas. Senão o governo não tem
como cumprir sua meta para construir escolas, argumenta o vereador
Nabil Bonduki (PT), relator do Plano Diretor e integrante da Comissão de
Política Urbana. Hoje temos muitas escolas com dificuldades para
funcionar, por causa da Lei de Zoneamento. Recebi ligação de uma
liderança de São Miguel Paulista dizendo que uma escola lá vai fechar
porque não cumpre o zoneamento.
Daniel
Montandon, diretor do Departamento de Uso do Solo da Prefeitura,
confirma que a nova regra, se aprovada pelos vereadores, acaba com
qualquer restrição para a construção de creches e postos de saúde. Nós
tínhamos um entendimento de que o zoneamento criava restrições para
equipamentos públicos essenciais, que não podem ser tratados como
empresas ou alguma entidade do meio econômico, diz.
A
proposta foi elaborada para facilitar a construção de creches nas
periferias. O elemento de motivação maior foi acabar com as restrições
físicas (como limites para área construída e altura) que hoje existem
para esses equipamentos, acrescentou Montandon.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
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