Líderes governistas admitem que aprovação da MP dos Portos é imprevisível
Apesar
das negociações ontem (7), não houve acordo entre líderes da base
governista sobre a MP dos Portos (595/12). A medida está na pauta da
sessão desta quarta-feira (8). Antes de votar o texto, no entanto, os
deputados precisam analisar a MP 593/12, que trata do Programa Nacional
de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).
A
votação da MP 593 foi adiada de terça para quarta-feira, em uma manobra
para atrasar a análise do novo marco regulatório dos portos.
A
MP dos Portos é prioridade legislativa do Executivo, mas tem sofrido
oposição dos partidos que compõem a base governista. O texto tem sido
contestado principalmente pelo PMDB e pelo PSB. O líder do PMDB,
deputado Eduardo Cunha (RJ), disse que há disposição para votar a MP
nesta quarta-feira, mas cobrou uma mesa de negociação com o governo.
Os
líderes do PT, José Guimarães (CE), e do governo, Arlindo Chinaglia
(PT-SP), admitiram que o clima é de indefinição quanto ao resultado da
votação da MP, que perde a vigência no dia 16 de maio e, portanto,
precisa ser votada pela Câmara na quarta-feira. “Se não for votada
quarta, ela, na prática, perde a eficácia”, disse o líder do governo.
Chinaglia
explicou que os líderes sequer chegaram a um acordo de procedimentos
sobre a votação, ou seja, que determine quais pontos do texto serão
objeto de votações nominais. “Como há divergências profundas e difusas,
você pode produzir um acordo com um partido e não ter acordo com outro
partido. Então, ninguém consegue responder o que, de fato, vai ocorrer
amanhã durante a votação em Plenário”, disse Chinaglia.
Guimarães,
que foi presidente da comissão mista responsável pela discussão da MP
dos Portos, disse que a proposta vai a voto amanhã “doa a quem doer”.
A
previsão é que o texto dos portos só tenha a discussão iniciada no
início da noite desta quarta-feira. Pela manhã, o Plenário se dedicará a
uma comissão geral sobre a seca e, antes de votar a MP dos Portos,
ainda precisa analisar a MP 593.
Controvérsias
O
governo, no entanto, não está disposto a aceitar alterações que
desfigurem o projeto. “O PT não vai permitir que se quebre a espinha
dorsal da MP dos Portos, senão não estaremos fazendo um novo marco
regulatório, mas um arremedo para contemplar outros interesses que não
os do País”, disse José Guimarães. Ele afirmou que, se os outros
partidos radicalizarem, o governo pode recuar nas negociações feitas
durante a comissão mista e passar a defender o texto original da MP.
O
líder do PMDB, Eduardo Cunha, quer incluir no texto a previsão de
licitação para as autorizações dos terminais privados criados a partir
da aprovação da MP. Ele discorda da redação atual, que privilegia o dono
do terreno. “Você está limitando a competição com um critério que
privilegia a posse da área. Eu vou defender a licitação”, disse Cunha.
Outros destaques do PMDB vão querer definir prazo para as autorizações e
impedir a revogação do marco regulatório de 1993.
Mesa de negociação
Cunha
cobrou uma mesa de negociações com o governo e lembrou que, durante a
análise da MP na comissão mista, não houve acordo de que o texto da
comissão prevaleceria no Plenário.
“Há
grupos de parlamentares que querem a garantia de sanção de partes
aprovadas na comissão mista, outros querem modificar o que saiu da
comissão e há aqueles que sequer concordam com o texto aprovado até
agora. Há uma divergência muito grande e não tem havido mesa de
negociações para que essas divergências sejam apresentadas”, criticou.
Outro
partido da base que deve apresentar destaques é o PSB. O deputado
Márcio França (PSB-SP) quer incluir uma emenda que garanta a atuação dos
órgãos gestores de mão de obra (Ogmos) nos terminais privados e não
apenas nos portos públicos. Já o deputado Glauber Braga (PSB-RJ) quer
definir melhor o papel da guarda portuária, impedindo, por exemplo, a
terceirização.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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