Parlamentares e produtores contestam medidas do governo para aliviar efeitos da seca
As
medidas lançadas pelo governo federal para ajudar a diminuir o impacto
da seca no Nordeste ainda são insuficientes, na opinião de parlamentares
e produtores rurais que participaram nesta terça-feira da audiência
pública na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e
Desenvolvimento Rural da Câmara.
Entre
as ações enumeradas pelo secretário de Fundos Regionais e Incentivos
Fiscais do Ministério da Integração Nacional, Jenner Guimarães do Rêgo,
estão a construção de cisternas, pagamento bolsa estiagem e a liberação
de R$ 2,4 bilhões para refinanciamento de dívidas. “Efetivamente, o
governo tem tratado do assunto e estão colocados vários instrumentos
capazes de viabilizar uma boa renegociação [das dívidas] e pelo menos
dar o fôlego necessário para que a gente consiga atravessar esse quadro
de crise climática que se abate sobre a Região”, afirmou Jenner
Guimarães.
Críticas
As
ações do governo federal de ajuda aos agricultores do Nordeste foram
bastante contestadas pelos participantes da audiência pública promovida
em conjunto com a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado.
“Tudo o que o banco diz, o Ministério da Integração diz, tudo isso
existe. É crédito, é dinheiro. Só que essa realidade, lá na ponta do
nosso produtor, não está chegando”, reclamou o presidente da Federação
da Agricultura e Pecuária da Paraíba, Mario Borba.
Para
Borba, resolver o problema é uma decisão política. Ele chegou a
comparar com a desoneração de R$ 44 bilhões concedida pelo governo ao
setor automobilístico, cujo valor é três vezes maior do que o total da
dívida dos agricultores.
Convocação de autoridades
Parlamentares
chegaram a defender a convocação de autoridades da área econômica do
governo, para que venham ao Congresso dar explicações sobre o que
realmente está sendo feito para ajudar os agricultores do Nordeste. “Por
que quem decide não está nesta reunião? Exatamente para não se
comprometer”, criticou o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI). “Chega de
falar com representantes, precisamos falar com quem decide”, cobrou a
senadora Kátia Abreu (PSD-TO), que é presidente da Confederação Nacional
da Agricultura e Pecuária (CNA).
Diversas
autoridades foram convidadas para a reunião, mas não compareceram. O
Banco do Brasil, o BNDES e o Ministério da Fazenda não mandaram nem
representantes, o que foi criticado também por participantes da
audiência. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da
Paraíba, Mario Borba, classificou a ausência como desrespeito.
A
convocação de autoridades da área econômica foi defendida também pelo
líder do PSC, deputado Andre Moura (SE), e pelo deputado Raimundo Gomes
de Matos (PSDB-CE), um dos parlamentares que pediu a realização do
debate. A gente ouviu dos representantes dos ministérios que estão aqui
que eles vão tentar ajudar, vão reunir propostas. O que se percebe é que
não existe um plano, afirmou Gomes de Matos.
Anistia das dívidas
Mesmo
sem a presença dos ministros, foram apresentadas diversas sugestões
para amenizar a crise, a principal delas, o perdão das dívidas. A
sugestão foi apoiada pelos parlamentares, entre eles, Oziel Oliveira
(PDT-BA). “Não adianta prorrogar porque essas dívidas não vão ser pagas.
Tem que ser anistia. Até porque estamos falando de situação de
calamidade pública”, argumentou.
Reivindicações
O
presidente do Movimento dos Agricultores Endividados do Nordeste,
Francisco Irmão, entregou aos deputados uma lista de reivindicações - a
mesma que repassou ao governo federal em dezembro do ano passado.
Os
produtores rurais reclamam que não existem propostas concretas para
resolver o problema das dívidas, fazendo com que mais de 500 mil
agricultores da região estejam próximos de perder suas propriedades em
leilões de execução dos débitos, segundo Francisco Irmão.“Se o Congresso
Nacional e a Presidência da República não atenderem nossas
reivindicações, fecharemos os estádios da Copa das Confederações, assim
como fizemos com a entrada do Palácio do Planalto em dezembro e com a
sede do Banco do Nordeste em Campina Grande (PB), mês passado, jogando carcaças de animais mortos pela seca”, ameaçou Irmão.
Encaminhamento
As
propostas apresentadas durante a audiência vão se juntar às que forem
apresentadas ao longo do grande debate sobre seca desta quarta-feira (8)
na Câmara, segundo Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), um dos autores do
pedido da comissão geral que será realizada no Plenário Ulysses
Guimarães a partir das 9h30. A partir daí, podem ser apresentados
projetos de lei que criem novas regras específicas para o financiamento
do setor rural nordestino.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
Comentários
Postar um comentário