C.FED - Presidente do STF sugere acordo do fundo de pensão da Varig com o governo
O
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa,
disse, nesta terça-feira, aos integrantes da Comissão Externa da Câmara
que acompanha a situação dos aposentados e pensionistas do Fundo de
Pensão da Varig e da Transbrasil (Aerus), que não vai reconsiderar o
pedido de vista do processo de recurso da União contra a Ação de
Defasagem Tarifária em tramitação na Corte.
Em
maio, o recurso foi colocado na pauta do STF e após voto favorável da
ministra Carmen Lúcia aos aposentados da Aerus, Barbosa pediu vista do
processo resultante da ação movida pelos ex-funcionários das companhias
aéreas Varig e Transbrasil.
Segundo
o deputado Rubens Bueno (PPS-PR), coordenador da comissão e líder do
PPS, Barbosa disse compreender a situação dos aposentados e pensionistas
do fundo que estão recebendo apenas 10% dos benefícios, mas que pela
urgência do caso a melhor alternativa seria um acordo para o governo
assumir o pagamento. “O ministro Joaquim Barbosa argumentou que não
reconsideraria o pedido de vista, alegando que a decisão pela celeridade
da ação cabe ao TRF [Tribunal Regional Federal], instância na qual
tramitam o pedido para que a União assuma o pagamento das
aposentadorias”, disse Bueno, ao final da audiência com o ministro do
STF.
O
processo (Ação de Defasagem), movido pela antiga Varig, pleiteia a
indenização pelos prejuízos sofridos pela companhia aérea à época dos
planos econômicos que visavam a estabilização inflacionária e congelaram
as tarifas no País. Os créditos resultantes dessa ação têm como
principal destinatário o Instituto Aerus.
Custo da antecipação
O
custo mensal dessa antecipação de tutela seria de R$ 23 milhões
mensais, valor inicial que provavelmente diminuiria com o tempo. O
ministro Joaquim Barbosa afirmou que vai levar a questão ao plenário do
STF. São pouco mais de 9 mil funcionários e pensionistas ainda vivos,
com faixa etária de 72 anos. Desses, 848 já morreram, disse Rubens
Bueno.
O
encontro também contou com a participação do presidente da Câmara,
Henrique Eduardo Alves, e dos deputados Chico Alencar (Psol-RJ), Miro
Teixeira (PDT-RJ) e Osmar Serraglio (PMDB-PR), integrantes da comissão
externa.
Nesta
quarta-feira (17), o colegiado se reúne, às 9h30, com o desembargador
Moreira Alves, do 1º Tribunal Regional Federal, que é o juiz responsável
pelo julgamento da ação civil pública da complementação de 100% dos
benefícios que os aposentados e pensionistas têm direito.
AGU
Os
parlamentares também pretendem se reunir com o advogado-geral da União
(AGU), Luís Inácio Lucena Adams, ainda nesta semana para negociar um
acordo para que o governo garanta a liberação do pagamento dos
benefícios. “A comissão vai buscar o entendimento para a solução
definitiva do problema daqueles que estão sofrendo com a redução dos
benefícios a que tem direito porque pagaram por isso”, disse, ao
solidarizar-se com o grupo de aposentados e pensionistas que estão
“acampados” há 19 dias na sede do Aerus, no Rio de Janeiro.
Participam
da comissão externa, além de Rubens Bueno, os deputados Benedita da
Silva (PT-RJ), Chico Alencar (Psol-RJ), Leonardo Picciani (PMDB-RJ),
Manuel Rosa Neca (PR-RJ), Miro Teixeira (PDT-RJ), Osmar Serraglio
(PMDB-PR), Otavio Leite (PSDB-RJ) e Stepan Nercessian (PPS-RJ).
Saiba mais sobre o caso
No
cerne da questão, está a negativa do governo em arcar com os prejuízos
no fundo de pensão, após a falência de duas companhias aéreas. Os
aposentados argumentam que o rombo foi causado por falta de fiscalização
da administração pública.
“Os
aposentados e pensionistas da antiga Varig e Transbrasil vivem uma
tragédia, que deveria importar a todos nós brasileiros. Com uma média
superior a 72 anos de idade, esses senhores e senhoras estão recebendo,
hoje, apenas 8% do valor a que têm direito em suas pensões e
aposentadorias. Por ser um valor muito baixo, eles estão passando por
severas e injustificáveis dificuldades”, explicou Bueno.
Segundo
o parlamentar, o caso chegou a esse ponto devido à irresponsabilidade
de diversos governos que não fiscalizaram o Instituto Aerus, assim como o
Fundo de Pensão da Vasp. “Pelo contrário, durante anos, o órgão
fiscalizador permitiu contratos lesivos ao Aerus, que resultaram na sua
interdição, levando à diminuição gradativa dos seus recursos, o que
provocou a impossibilidade de cumprir com o pagamento dos benefícios”,
ressaltou.
Rubens
Bueno lembrou que somente os participantes do fundo cumpriram com sua
parte no contrato e esperam, há mais de sete anos, por uma solução para o
problema. “O que eles pedem é apenas o pagamento de suas aposentadorias
e pensões na integralidade. Isso é muito tempo para pessoas com idade
tão avançada, que precisam urgentemente garantir seu sustento, comprar
medicamentos, reaver a assistência médica, tocar com o mínimo de
dignidade a vida que lhes resta”, reforçou.
Histórico
Há
13 anos, os sindicatos, ao perceberem o rombo no Aerus/Aeros,
denunciaram o caso às autoridades e desde então vêm buscando uma solução
que proteja os trabalhadores. De acordo com Bueno, a solução já poderia
ter sido alcançada, se o governo acatasse decisão da 14ª Vara Federal
na Ação Civil Pública nº 2004.34.01.0319-2 e também a Ação de Defasagem
Tarifária nº 2001.01.00.044801-0. Nesta última, a União já perdeu em
todas as instâncias, mas o governo segue recorrendo por meio de
protelações judiciais.
“Se
houvesse respeito por parte do governo e mais autonomia do Judiciário,
essa injustificável demora já teria tido um fim. A saída para o problema
passa agora, mais que nunca, por reconhecimento e negociação em torno
do cumprimento das citadas ações, entre o governo e o Poder Judiciário”,
ponderou o Bueno.
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