A ocasião faz o ladrão


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A ocasio faz o ladro
Já diz o velho e conhecido ditado popular: “a ocasião faz o ladrão”. Afirmando que, de algum modo, a vítima do roubo ou furto facilitou a ação criminosa.

Jean-Jacques Rousseau escreve em uma de suas mais importantes obras, Do contrato social, que "o homem nasce bom e a sociedade o corrompe", dialogando bem com a visão cristã, onde as crianças nascem em estado de inocência, puras, e tornam-se pecadoras a medida em que crescem em contato com a sociedade em que vivem. Em sentido contrário, afirma Tomas Hobbes que o homem nasce mau, com instintos de sobrevivência, e que devido a tais instintos é capaz de fazer qualquer coisa. Para Hobbes, a sociedade tem o papel de educa-lo, de humanizá-lo, de torna-lo sociável. O escritor e poeta Machado de Assis disse: “a ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito”. Corroborando com a ideia preconizada por Hobbes.
O Brasil é detentor da terceira maior taxa de roubos registrados na América Latina, conforme mostra relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) consubstanciado em dados de 2011, apenas atrás da Argentina e México. O estudo mostra que, de forma geral, a alta criminalidade é fator importante que desestimula o desenvolvimento econômico e humano.
A revista semanal britânica The Economist divulgou na edição de 20 de julho de 2013 uma enorme queda nos índices de criminalidade nos países ricos desenvolvidos. A revista mostra que os crimes diminuem a medida em que os criminosos têm mais medo de serem pegos, devido ao aperfeiçoamento tecnológico das polícias, muito mais do que as penas e sentenças rigorosas. Em outras palavras: o que faz diminuir o crime não é a dureza da pena, mas o grau de certeza da punição.
Vivemos em um país onde o normal é ser corrupto, tanto o é que têm sido comuns os escândalos de corrupção por parte de políticos e mesmo assim a população reage de forma natural, como se “já era de se esperar, afinal se fosse eu faria o mesmo”. E somos corruptos porque é fácil. Difícil mesmo é ser pego.
A ocasio faz o ladro
Por analogia, e daí retomamos a discussão anterior, o caso dos “encoxadores”, atual em nossa mídia. Podem dizer alguns que “a ocasião faz o encoxador”. Outros porém, dirão “a ocasião faz o encoxamento; o encoxador nasce feito”. O ponto é que não há uma posição pacífica a este respeito, mas o fato de haver a ocasião e de não se temer ser pego colaboram, e muito, com a situação em que vivemos. Os dados de corrupção a níveis mundiais denunciados pelo site http://www.transparency.org mostram que quanto mais corrupto o país, maiores os índices de criminalidade e insegurança, o que desemboca nas ditas ocasiões necessárias para a consumação do crime.
Desta feita, devo deliberar ser mais sensato pensar como expressou Jean-Jacques Rousseau. Visto que em países mais desenvolvidos – com melhor educação, saúde, segurança, valores culturais, valores pátrios, igualdade etc – os índices de criminalidade são inversamente proporcionais a soma de valores objetivos e subjetivos dos cidadãos.

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