Lei de Licitações deve passar por ampla revisão no Congresso
Prestes
a completar 20 anos, a Lei de Licitações (Lei 8.666/93) deve passar por
uma atualização. Na Câmara, a Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania (CCJ) analisa uma ampla revisão da norma (PL 1292/ 95 e
apensados). O assunto também deve ser o foco de uma comissão mista de
senadores e deputados, conforme anunciou recentemente o presidente do
Senado, Renan Calheiros.
Fato
é que, para advogados, parlamentares e empresários, a legislação está
inadequada às demandas dos novos tempos, como destacou o jurista Jorge
Ulisses Jacoby, mestre em Direito Público, em entrevista ao programa Com a Palavra, da Rádio Câmara.
Precisamos
modernizar a legislação porque, no tempo em que veio a Lei de
Licitações, alguns fatos prejudicaram a norma correta”, avalia Jacoby.
“Na época, a inflação era muito alta. Pela Lei de Licitações, se um
empresário terminar uma obra antes, nós temos que descontar da fatura,
quando deveríamos premiar.
Mais de 200 propostas
Relator
dos projetos que modificam a Lei de Licitações na CCJ, o deputado Fábio
Trad (PMDB-MS) concorda que há muito a aperfeiçoar na legislação. Até o
momento, Trad já apresentou três relatórios sobre mais de 200 propostas
sobre o tema.
O
parecer ainda pode sofrer alguma modificação, mas, segundo o
parlamentar, já pode ser votado, pois existem inúmeras propostas de
mudança que já foram incorporadas pelo projeto substitutivo.“Ampliamos
as hipóteses do pregão eletrônico, que nos parece uma modalidade de
licitação muito interessante e compatível com princípio da moralidade e
da transparência, que devem prevalecer na administração pública”,
explica Trad.
“Aumentamos
penas para crimes licitatórios. Proibimos a participação em certames
licitatórios de empresas que fazem doações a partidos políticos e a
candidatos que saiam vencedores nas eleições. Priorizamos questão dos
produtos nacionais em igualdade de condições com outros produtos nos
certames licitatórios, acrescenta o parlamentar.
Contratações diferenciadas
Apesar
de consensual, a revisão da Lei de Licitações envolve polêmicas. Uma
das discussões, por exemplo, é se o chamado Regime Diferenciado de
Contratações (RDC - Lei 12.462/11) deveria ou não ser estendido ao maior
número possível de casos.
O
relator defende que o RDC se mantenha restrito. Mas reconhece que o
regime serviu de inspiração para a proposição de dispositivos que
simplifiquem procedimentos e confiram celeridade às licitações, desde
que combinados com mecanismos de controle e prevenção de desvios de
recursos públicos.
Aprovado
em 2011, o RDC é usado na contratação de obras para a Copa do Mundo de
2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Em 2012, ele passou a valer também
para ações do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, além de
obras e serviços na Saúde.
Se
aprovadas na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, as
propostas que atualizam a Lei de Licitações ainda serão votadas pelo
Plenário.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
Comentários
Postar um comentário