Audiência pública: ministro espera amplo debate sobre financiamento de campanhas
Relator
da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4650) que motivou a
convocação da audiência pública sobre financiamento de campanhas
eleitorais, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF),
afirmou nesta quarta-feira (12) que espera colher “informações valiosas”
dos participantes em “um debate riquíssimo”, que acrescentará
informações para solucionar “um problema que está intimamente ligado à
expectativa da sociedade em relação à higidez do processo eleitoral”.
A
audiência será realizada em dois dias. A primeira etapa de
apresentações acontece na próxima segunda-feira (17) e, a segunda etapa,
no dia 24 de junho, sempre a partir das 14h, na Sala de Sessões da
Primeira Turma do STF, Anexo II B, 3º andar.
Os
expositores devem enviar o arquivo de suas apresentações até o final
desta quarta-feira para o endereço eletrônico
financiamentodecampanhas@stf.jus.br.
A
ADI 4650 foi ajuizada no STF pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
contra dispositivos da Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/95) e Lei
das Eleições (Lei 9.504/97). Esses dispositivos autorizam a doação de
recursos financeiros provenientes de pessoas físicas e jurídicas para
campanhas eleitorais de partidos e candidatos. A OAB argumenta que a
presença do poder econômico nas eleições leva o sistema eleitoral ao que
chamou de “graves distorções”, criando “perniciosas vinculações entre
os doadores de campanha e os políticos, que acabam sendo fonte de
favorecimentos e de corrupção após a eleição”.
Conforme
explicou o ministro Fux, a ação basicamente aponta que “a legislação
atual gera uma desigualdade política em razão da desigualdade econômica,
na medida em que partidos e eleições estão intimamente vinculados a
pactos econômicos que, na versão da própria OAB, nem sempre são pactos
muito republicanos”.
De
acordo com o ministro, a audiência pública é importante porque traz ao
Judiciário questões que extrapolam o conhecimento jurídico. “Vamos ouvir
a voz da sociedade porque, na verdade, essa não é uma questão só
jurídica, mas envolve valores sociais”.
Para
ele, o debate confere “legitimação democrática” à decisão que será
tomada pelo STF. “Para que o povo tenha confiança na decisão que vamos
proferir é preciso que nós também ouçamos as vozes sociais, quando essas
decisões não perpassam apenas por um critério meramente jurídico”,
destacou.
Fux
ainda afirmou que, nessas questões, é muito importante que o Tribunal
“preste contas à sociedade e que a decisão seja o quanto possível
representativa da expectativa popular”.
Fonte: Supremo Tribunal Federal
Comentários
Postar um comentário