Relator quer obrigar execução de emenda parlamentar para programa incluído na LDO
O
relator da Comissão Especial do Orçamento Impositivo (PEC 565/06 e
outras), deputado Édio Lopes (PMDB-RR), pretende incluir em sua proposta
a obrigatoriedade da execução apenas de emendas individuais de
parlamentares que se insiram em programas prioritários do governo já
previstos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Em
audiência pública na tarde de ontem (11), Lopes disse ainda que deve
apresentar seu texto até o final desta semana para que possa ser votado
já na semana que vem.
A
PEC deve estabelecer também um período para que o Executivo informe ao
Congresso quais emendas não teriam condições de ser executadas por
razões técnicas ou legais. Depois haverá mais um prazo para correções
dos problemas pelo parlamentar ou pelo órgão a que a emenda for
endereçada. “São pesos e contrapesos que buscamos para permitir que as
emendas sejam executadas, sem o caráter mais rígido de imposição”,
explicou.
Limite
Outro
ponto em discussão entre os deputados é a adoção de um valor limite
para as emendas individuais. A ideia, segundo Lopes, é vincular a
execução obrigatória a um porcentual da receita corrente líquida do
exercício anterior. Segundo o deputado, “assim será possível chegar a um
orçamento muito mais próximo do real do que com uma previsão para daí a
um ano ou um ano e meio”.
Durante
a audiência, a secretária de Orçamento Federal do Ministério do
Planejamento, Célia Corrêa, não quis comentar a proposta de Édio Lopes.
Quanto à adoção de um orçamento impositivo, sustentou que tornaria ainda
mais engessada a execução orçamentária do País. Ela assinalou que 84%
dos recursos públicos já são vinculados.
Ainda
conforme a secretária do Ministério do Planejamento, em 2013, as
emendas individuais de parlamentares somam quase R$ 9 bilhões. Segundo
garante, isso corresponde a 42% dos recursos do Bolsa Família, e a 72%
dos relativos ao Minha Casa, Minha Vida.
Qualificação
Todos
os deputados presentes na reunião foram unânimes em defender a execução
obrigatória das emendas parlamentares. Ricardo Berzoini (PT-SP)
considera importante procurar um texto que permita “maior qualificação
da execução orçamentária”. Na opinião do parlamentar, “aprovar só a
imposição desqualifica a execução, mas é preciso criar mecanismos que
não deixem Executivo tão senhor da situação”, acrescentou.
Muitos
presentes também reclamaram que apenas as emendas dos parlamentares não
são executadas pelo Executivo. Como exemplo, o deputado Esperidião Amin
(PP-SC) disse que neste ano, no Ministério do Turismo, o governo
contingenciou 100% dos recursos propostos pelo Legislativo.
Democracia
Os
parlamentares ainda acreditam que a execução impositiva das emendas vai
reduzir a influência do Executivo sobre o Congresso. “A chantagem vai
acabar agora, vai acabar com esse jogo de dizer que vai liberar
orçamento porque votou com o governo”, garantiu o deputado Colbert
Martins (PMDB-BA).
Os
deputados argumentaram também que as emendas de parlamentares
representam a parte democrática da execução orçamentária, porque foram
discutidas com prefeitos, governadores e a população. Para o deputado
João Maia (PR-RN), por exemplo, “a emenda é o orçamento onde o governo
federal não alcança, o parlamentar tem condições de construir um
orçamento mais próximo da realidade”.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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