Câmara derruba projeto com nova regra de divisão de fundo estadual
Em
uma sessão tumultuada, a Câmara dos Deputados rejeitou na noite desta
quarta-feira (12) um projeto que estabelecia novas regras de partilha
dos recursos do FPE (Fundo de Participação dos Estados). O novo modelo
tinha sido aprovado em abril pelo Senado.
Com
isso, o Congresso pode não ter condições de cumprir o prazo determinado
pelo STF (Supremo Tribunal Federal) de aprovar um novo sistema de
distribuição até o próximo dia 23.
Segundo
parlamentares governistas e oposicionistas, com a derrubada da
proposta, o governo não terá mais a obrigação de repassar os recursos
para os cofres dos Estados.
Composto
por 21,5% da arrecadação do Imposto de Renda e do IPI (Imposto sobre
Produto Industrializado), o FPE transfere cerca de R$ 62 bilhões anuais
aos Estados, e é a principal fonte de receita nas regiões mais pobres.
Pelos
critérios atuais, Norte, Nordeste e Centro-Oeste ficam com 85% do
dinheiro. Os outros 15% são repassados aos Estados das demais regiões.
Foi
uma sessão melancólica, disse o presidente da Câmara, Henrique Eduardo
Alves (PMDB-RN). Agora, é nosso dever encontrar uma alternativa,
completou.
Eduardo
Alves deve procurar líderes partidários e o governo para debater uma
saída. Ele não descartou pedir ao presidente do STF, Joaquim Barbosa, um
novo prazo para a fixação de um critério.
O
fundo é tema de impasse há dois anos, quando o Supremo determinou que o
Congresso alterasse o rateio dos recursos, baseado em uma legislação de
caráter provisório aplicada desde o fim da década de 1980. Em janeiro, o
Supremo concedeu um novo prazo de 150 dias para deputados e senadores
aprovarem uma norma.
Em
abril, o Senado determinou um novo modelo que passaria a vigorar em
2016 e 2017 e estabeleceu que, para os anos seguintes, um novo critério
deverá ser criado.
A
proposta estabelecia a distribuição da arrecadação extra do fundo aos
Estados com base em dois critérios: tamanho de sua população e a renda
domiciliar per capita.
Assim,
todos os Estados recebem os mesmos valores do ano anterior (2015), mas
os recursos arrecadados além desse piso vão ser distribuídos segundo os
dois novos critérios.
Pela
proposta, quanto maior for a população do Estado e menor for a sua
renda per capita domiciliar, mais dinheiro ele receberia.
O
modelo, no entanto, foi rejeitado pelos deputados. As bancadas de oito
Estados (Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio de
Janeiro, Goiás, Espírito Santo e Mato Grosso) tentaram alterar a
proposta alegando que 16 Estados seriam prejudicados. Eles não
conseguiram modificar o projeto, mas impediram que a proposta do Senado
tivesse os 257 votos necessários para ser aprovado.
Ao
longo da sessão, além do presidente da Câmara, o líder do governo,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), e os líderes do PT, José Guimarães (SP), e do
PMDB, Eduardo Cunha (RJ), defenderam a aprovação do texto doe Senado
para evitar que, diante do impasse, as regras do fundo ficassem na
dependência do Supremo.
Chingalia
disse que era melhor votar qualquer coisa para não passar vergonha de
ver o Supremo decidir de novo pelo Legislativo. Ele justifico a falta de
entendimento. Quando se trata de dinheiro, não tem acordo.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo
Comentários
Postar um comentário