Gecoc denuncia ex-prefeito de União e outras sete pessoas por crimes de peculato e fraude à licitação
O
ex-prefeito do município de União dos Palmares Areski Damara de Omena
Freitas Júnior e outras sete pessoas, todas ex-funcionárias daquela
cidade durante a administração do ex-gestor do PTB, foram denunciadas
pelo Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) do
Ministério Público Estadual de Alagoas sob a acusação de uma série de
ilícitos penais, a exemplo de fraudes à licitação, peculato e formação
de quadrilha. O bando é apontado como responsável pelo desvio de R$
946.476,50 (novecentos e quarenta e seis mil, quatrocentos e setenta e
seis reais e cinquenta centavos) dos cofres públicos do município
localizado na região da Zona da Mata alagoana.
Na denúncia ofertada à
17ª Vara Criminal da Capital, além da condenação dos acusados pelos
crimes praticados, o Ministério Público Estadual também pediu as prisões
preventivas de todos os envolvidos, solicitação que foi atendida pelos
Colegiado. Os mandados de prisão foram cumpridos em União e Maceió, em
parceria com a Polícia Federal, na manhã desta sexta-feira (05), que
disponibilizou 32 policiais, divididos em oito equipes, entre delegados e
agentes. O delegado federal Gustavo Viana Gatto coordena o operação
policial.
Na
denúncia ofertada pelo MPE, Areski de Freitas Júnior é acusado de
capitanear uma organização criminosa integrada por agentes públicos que
praticou uma profusão de ilícitos penais no âmbito da administração
pública do município de União dos Palmares com o objetivo de lesar o
erário entre os anos de 2009 e 2012. As investigações, que tiveram
início em dezembro do ano passado, após o cumprimento de medidas
cautelares de busca e apreensão em diversos órgãos municipais, analisou
220 documentos recolhidos e sete depoimentos prestados ao Gecoc,
coordenado pelo promotor de Justiça Alfredo Gaspar de Mendonça Neto.
Além
do ex-gestor, também foram denunciados Orlando Sarmento Cardoso Filho, à
época secretário de Administração e Finanças; Nelma Lúcia Martins de
Souza, que também ocupou o cargo de secretária de Administração e
Finanças; Élson Davi da Silva Cardoso, ex- secretário de Cultura e
Sandra Maria Alves de Araújo, Diego Guilherme Calixto, Washington
Bezerra Costa e Tereza Cristina Gomes Bezerra, todos ex-integrantes da
Comissão Permanente de Licitação.
Todos
são acusados de fraudes que envolveram despesas e procedimentos de
compras e serviços supostamente realizados pelas empresas L. Carvalho da
Silva Produções – ME, que tem como sócio e representante legal Jackson
Henrique Burgos Gomes; Irmãos Leite Comércio e Representação LTDA – ME,
que pertence a Wilson Bezerra Leite Júnior; Calheiros e Melo Comércio
Serviços e Representações LTDA - ME, de José Elias Calheiros de Melo;
Alfa Epis Comércio LTDA, do sócio Demerval Araújo de Lacerda; Cunha
& Melo LTDA – EPP, de propriedade de Gílson Melo Cunha e SEA
Comércio e Serviços LTDA-ME, cujo representante legal é Sérgio de Farias
Oliveira. Os sócios de todas as empresas foram ouvidos pelo MP/AL e
negaram quaisquer contratos com a referida Prefeitura.
Por
conta de tais condutas, eles são acusados do cometimento dos crimes de
peculato, peculato furto, falsidade ideológica, falsificação de
documento particular, uso de documento falso, fraude em licitação e
formação de quadrilha, causando, em consequência disso tudo, um prejuízo
de quase R$ 1 milhão aos cofres públicos, em beneficio dos fraudadores e
em detrimento à população daquela cidade.
Como aconteciam as fraudes
Em
notas de empenho e fiscais apreendidas pelo Gecoc, o Município
justificou uma série de pagamentos, que foram detectados como ilegais,
liberados para supostos serviços para manutenção das atividades da
Secretaria Municipal de Administração e Finanças e da Secretaria
Municipal de Infraestrutura, no ano de 2009; para aquisições necessárias
à execução dos trabalhos das Secretarias Municipais de Educação,
Infraestrutura, Cultura e Superintendência Municipal de Transportes e
Trânsito em 2010; para compras de material de expediente, mobiliário e
de construção no ano de 2011 e para contratações artísticas destinas à
promoção de apresentações em festas culturais, de carnaval e no evento
realizado em comemoração à Padroeira de Rocha Cavalcante no ano passado.
De
acordo com o Gecoc, nesse período, em virtude da intervenção da
organização criminosa, foram realizados três fraudados procedimentos
licitatórios, 60 pagamentos foram dolosamente manipulados e 22 estão
relacionados aos processos referentes às notas de empenho nº 4522/2009,
6848/2009, 6271/2009, 6270/2009, 2389/2010, 10092/2010, 430/2010,
8878/2010, 62/2010, 8879/2010, 267/2010, 2036/2010, 4719/2010,
2642/2010, 3130/2010, 3131/2010, 10731/2010 e 8311/2010, o que se
configura numa afronta aos preceitos contidos na Lei nº 8.666/93, que
regulamenta o artigo nº 37, inciso XXI, da Constituição Federal e
institui normas para as licitações e contratos administrativos.
Ainda
segundo o MP/AL, para agravar a situação ilícita, já acima relatada,
parte dos processos de pagamento foram constituídos,
administrativamente, de forma irregular, haja vista que não foram
cumpridas as etapas de empenho e a fase de liquidação, que implica na
verificação do direito adquirido pelos credores, através de títulos e
documentos comprobatórios dos respectivos serviços prestados ou produtos
adquiridos.
“Considerando-se
o teor dos supracitados depoimentos, verifica-se, de forma clara e
incontestável, que centenas de processos de pagamento relacionados aos
empenhos emitidos e aos pagamentos realizados pela prefeitura municipal
de União dos Palmares durante os exercícios financeiros de 2009, 2010,
2011 e 2012 e pela Prefeitura Municipal daquela entidade estatal, foram
aviltantemente fraudados pela organização criminosa capitaneada pelo
denunciado Areski Damara de Omena Freitas Júnior, à época, prefeito de
União dos Palmares, ordenador das despesas, de modo que seus integrantes
pudessem se apropriar criminosamente do dinheiro público destinado ao
pagamento de compras e serviços contratados e não realizados, em
profundo prejuízo à municipalidade que, em consequência, viu-se privada
de ações que visem à melhoria da qualidade de vida da sua população”,
diz trecho da denúncia do Gecoc.
As negativas feitas pelos empresários
Jackson
Henrique Burgos Gomes, sócio da L. Carvalho da Silva Produções – ME,
por exemplo, ao ser questionado pelo MPE sobre supostos pagamentos
realizados no ano de 2012, pela prefeitura de União dos Palmares no
valor de R$ 547, 3 mil, asseverou categoricamente que os últimos
serviços prestados por sua empresa ao referido ente federativo ocorreram
no ano de 2011 e que não recebeu da Prefeitura Municipal daquela cidade
nenhum montante no ano de 2012 e que, tampouco, foi credor dos valores
constantes das listagens de despesas pagas com retenções acima
mencionadas.
Negativas semelhantes também foram confirmadas pelos demais proprietários e sócios das empresas vítimas da quadrilha.
Prisões foram solicitadas pelo Gecoc
O
Gecoc pediu as prisões de todos os denunciados no esquema já
mencionado. “Em liberdade, os denunciados causarão sérios transtornos à
instrução criminal, um dos fundamentos autorizadores da decretação das
suas prisões preventivas, uma vez que, sem restrição da liberdade de
locomoção, eles serão capazes de subverter o conjunto probatório, de
intimidar testemunhas, os familiares das testemunhas ou qualquer outra
pessoa que se disponha a ofertar informações sobre eles, sobre a
organização criminosa a que pertencem ou a respeito dos fatos a eles são
imputados”, justificaram os promotores de Justiça, ao solicitar as
prisões.
Na
denúncia, o Gecoc pede a condenação do ex-prefeito, por 61 vezes, pelo
crime de peculato; 41 vezes, por falsificação de documento particular;
22 vezes pelo ilícito de falsidade ideológica; 21 vezes pelo crime de
uso de documentos falsos; 03 vezes por fraude em licitação e ainda pelo
ilícito de formação de quadrilha.
Cinco pessoas foram presas
Os
oito mandados de prisão foram cumpridos pela PF e cinco pessoas foram
detidas e encaminhadas para prestar depoimento à 17ª Vara Criminal da
capital: Orlando Sarmento Cardoso Filho, Nelma Lúcia Martins de Souza,
Diego Guilherme Calixto, Washington Bezerra Costa e Tereza Cristina
Gomes Bezerra. Orlando foi o único preso em Maceió, no bairro do
Pinheiro.
O
ex-prefeito Areski de Freitas, Élson Davi da Silva Cardoso e Sandra
Maria Alves de Araújo já são considerados foragidos da Justiça. A
Polícia Federal entende como excelente esse tipo de parceria
estabelecida com o Ministério Público Estadual. Estaremos sempre à
disposição para ajudar no combate ao crime organizado, disse o delegado
Gustavo Gatto.
Fonte: Ministério Público do Alagoas
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