MPMG ingressa na Justiça para barrar transferência de alunos de Barbacena para fora do município
O
Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ajuizou, na última
quinta-feira, 4 de julho, Ação Civil Pública (ACP) com pedido de liminar
para que o município de Barbacena suspenda a transferência de escolas
ou alunos para o campus da Universidade Presidente Antônio Carlos
(Unipac), em Campolide, distrito do município de Antônio Carlos. A
decisão da Prefeitura, tomada por meio de decreto municipal que
instituiu o Programa Educacional Escola Legal, tem causado o
descontentamento de pais e estudantes de escolas que já foram
transferidas e é um dos principais alvos das recentes manifestações
populares na cidade.
Além
da suspensão, o MPMG pede que a Justiça estabeleça o prazo de cinco
dias para que a Administração Municipal garanta vagas e facilite a
matrícula dos alunos do Escola Legal interessados na transferência para
outras escolas do município. Outro pedido liminar é para que a
Prefeitura regularize o transporte escolar dos estudantes até o dia 29
de julho, bem como disponibilize estrutura pedagógica mínima aos alunos
do programa educacional.
O
MPMG ainda requer, no julgamento do mérito da ACP, que o município de
Barbacena seja obrigado a providenciar, até o início do ano letivo de
2014, outra edificação de uso coletivo, situada no perímetro urbano de
Barbacena, destinada à transferência da Escola Municipal Acadêmico Abgar
Renault. O objetivo é garantir aos alunos o direito de estudarem em
escola pública e gratuita próxima de suas residências.
Irregularidades
Além
da mudança da rotina e dos transtornos causados pelo decreto municipal,
pais e alunos atingidos pela decisão da Prefeitura reclamam,
principalmente, da distância da instituição de ensino, das viagens por
rodovia, do horário do transporte escolar e da falta de segurança.
Segundo a ação, há notícias de crianças que abandonaram a escola, além
da constatação de irregularidades no transporte e de gastos
desnecessários no contrato estabelecido entre o ente público e a Unipac.
O gasto mensal do município com a locação do imóvel e o transporte
escolar está em torno de R$ 133 mil. Nós, do Ministério Público, e
também parcela significativa da sociedade barbacenense entendemos que
esse investimento poderia ter sido efetivado na melhoria da estrutura
física e pessoal das escolas municipais já existentes, argumenta o
promotor de Justiça Flávio Rocha, autor da ACP.
Segundo
o promotor de Justiça, há suspeitas, inclusive, de que a administração
do município de Barbacena tenha se utilizado do contrato como meio de
transferir recursos públicos para familiares do prefeito que gerenciam
uma fundação na região. Diante das irregularidades, o MPMG buscou
encontrar soluções para os problemas por meio de recomendações e
acordos, mas não obteve a concordância da Prefeitura de Barbacena.
Fonte: Ministério Público de Minas Gerais
Comentários
Postar um comentário