Aumento do desmatamento ilegal preocupa senadores
O
aumento do desmatamento ilegal voltou a ser um problema no país e
requer medidas urgentes para ser contido, na avaliação dos senadores
Blairo Maggi (PR-MT), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Valdir Raupp
(PMDB-RO) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA). Os parlamentares se manifestaram
nesta terça-feira (10), no início da reunião da Comissão de Meio
Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA).
-
A situação está ficando muito séria. Tenho sobrevoado o estado de
Rondônia e tenho ficado estarrecido com o que está acontecendo. Neste
momento, quando deveríamos estar zerando a derrubada ilegal de árvores,
ainda estão acontecendo em larga escala desmatamentos ilegais.
Sobrevoando de Buritis para Guajará-Mirim, eu contei 38 desmatamentos,
com certeza 100% ilegais - contou Raupp.
Ao relatar situação semelhante em Mato Grosso, o presidente da CMA, Blairo Maggi, também se disse surpreso com o avanço do desmatamento.
-
Depois de anos debatendo o Código Florestal, trouxemos para a
legalidade aqueles que tinham problema de regularização. É lamentável
que algumas pessoas ainda achem que podem desmatar de forma ilegal e
arrumar a vida lá na frente. Está muito claro que não restou nenhuma
alternativa jurídica para quem fizer desmatamento irregular a partir de
2008. Só restam o embargo, as multas e as ações civis e criminais -
disse.
Conforme
o senador, a derrubada ilegal de árvores é ação de especuladores, que
buscam elevar o valor da terra com a abertura da área, e daqueles que
acreditam ser possível burlar a lei.
-
Não adianta fazer artimanhas que não será legalizado. [Com a aprovação
do novo Código Florestal] O Congresso já deu um sinal bem claro nesse
sentido - avisou Blairo.
Para combater a ação criminosa, Flexa Ribeiro e Valdir Raupp cobraram uma ação mais efetiva do Ibama na fiscalização preventiva.
-
Se o IBama tem helicópteros alugados, se o Brasil já tem até os Vants
[veículos aéreos não tripulados] nas fronteiras, se tem satélites que
permitem visualizar em tempo real o desmatamento, porque a fiscalização
não atua no início da derrubada? Por que deixa derrubar 300, 400 hectares para só então agir? - questionou Raupp.
Nesse
sentido, Rodrigo Rollemberg lamentou falha ocorrida no lançamento do
foguete que colocaria em órbita satélite de monitoramento ambiental,
construído em parceria com a China.
-
Isso vai trazer um prejuízo muito grande, pois [o satélite] é um
importante instrumento de controle do desmatamento - observou.
Cadastro ambiental
O
senador pelo DF também sugeriu que a CMA acompanhe a implementação do
novo Código Florestal. Ao concordar com a sugestão, Blairo Maggi
informou que tem feito gestões junto à ministra do Meio Ambiente,
Izabella Teixeira, para que o governo federal agilize a implementação do
Cadastro de Ambiental Rural (CAR), um dos principais instrumentos
previstos no novo código para a regularização das áreas rurais.
A
ministra anunciou que nos próximos dias será assinado o decreto que irá
regulamentar o CAR, abrindo assim o período de cadastramento
obrigatório para todos os estabelecimentos rurais e a posterior adesão a
programas de regularização para aqueles que desmataram áreas protegidas
além dos limites legais.
Incentivo para reflorestamento
Para
incentivar o reflorestamento, a Comissão de Meio Ambiente está
analisando projeto (PLS 8/2011) que autoriza a dedução do imposto de
renda de gastos para a recomposição de Áreas de Preservação Permanente
(APP) e de Reserva Legal, que devem ser mantidas com vegetação nativa,
conforme previsto no Código Florestal. A matéria constava da pauta da
reunião desta terça-feira, mas teve sua votação adiada a pedido do
relator, senador Ivo Cassol (PP-RO).
Fonte: Senado Federal
Comentários
Postar um comentário