Conselho discute realização de concursos para juiz por empresas terceirizadas
Oitenta
por cento dos concursos públicos para ingresso na carreira de
magistrado são organizados por empresas terceirizadas. O dado foi
revelado durante o seminário Regras de Concurso para a Magistratura,
promovido pelo Conselho Nacional de Justiça nesta segunda-feira (6/5),
na sede do Conselho da Justiça Federal (CJF), em Brasília. O
evento, com duração de dois dias, tem por objetivo discutir a minuta de
resolução que visa a estabelecer um novo modelo de seleção de juízes.
A
principal e mais debatida proposta foi a instituição de um certame de
âmbito nacional, exclusivo para a primeira etapa, a ser promovido por
uma comissão composta por representantes do CNJ ou demais Conselhos
Nacionais, das escolas nacionais da magistratura e da Ordem dos
Advogados do Brasil.
A
proposta de resolução foi elaborada por um grupo de trabalho
interinstitucional, presidido pelo conselheiro Lucio Munhoz, responsável
pela Comissão Permanente de Eficiência Operacional e Gestão de Pessoas
do CNJ. Esse grupo foi instituído pelo Conselho após constatar a
existência de mais de 100 processos administrativos contra as regras da
Resolução 75, editada pelo órgão em 2009 para regulamentar os concursos
públicos para ingresso na carreira de juiz.
Lúcio
Munhoz explicou, na abertura do seminário, que o grupo de trabalho
realizou um minucioso estudo sobre as dúvidas suscitadas por candidatos e
tribunais nos processos, assim também sobre os diversos modelos de
seleção empregados pelos tribunais brasileiros. Uma das constatações foi
a de que o Poder Judiciário terceiriza boa parte dos concursos para
ingresso na carreira da magistratura, pouco participando desse processo.
“O que temos observado é que são as instituições privadas que estão
traçando o perfil dos nossos magistrados, e não o Poder Judiciário”,
afirmou o conselheiro.
Morgana
Richa, ex-conselheira do CNJ e coordenadora do grupo de trabalho,
explicou que uma das preocupações foi incluir as escolas da magistratura
no processo de seleção dos novos juízes. “Surpreendeu-nos a quase
nenhuma participação das escolas nos concursos públicos”, disse.
O
juiz Ricardo Chimenti, da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento
de Magistrados, completou argumentando que a ideia do grupo de trabalho
é a instituição de uma prova nacional que substitua a prova objetiva,
ou seja, a primeira fase do concurso. Essa prova nacional seria
formulada com questões de um banco de dados a ser alimentado anualmente
pelas escolas da magistratura. “Com isso, iremos retirar a etapa da
formalização das questões das instituições terceirizadas. As bancas
privadas poderão ser contratadas, mas para solucionar questões de
logística, não para a elaboração das provas”, afirmou.
De
acordo com Chimenti, o objetivo é limitar a atuação das bancas
examinadoras terceirizadas. “Chegou ao nosso conhecimento de que já
houve até biólogos ou químicos conduzindo os concursos para a
magistratura, com base em um grande banco de questões. Isso não é
possível. Uma das novas exigências é que a instituição terceirizada
forneça ao menos o currículo dos integrantes da banca examinadora”,
afirmou o magistrado, destacando que a atuação das instituições
terceirizadas também seria proibida na fase da sindicância da vida
pregressa do candidato, quando da realização da prova oral.
Morgana
Richa destacou que, em um primeiro momento, a adoção da primeira etapa
nacional, pelos tribunais, seria opcional. Além disso, a proposta é que
as demais fases do concurso sejam conduzidas pelas cortes. “Esse
concurso nacional foi muito debatido entre nós, e a conclusão foi de que
esse é o momento de avançarmos na proposta”, destacou.
O
seminário Regras de Concurso para a Magistratura conta com a
participação de representantes de diversos tribunais do Brasil. Após
debaterem a minuta de resolução, o texto será revisto e encaminhado ao
Plenário do CNJ. Se aprovado, valerá para todo o Poder Judiciário.
Fonte: Conselho Nacional de Justiça
Comentários
Postar um comentário