Plenário pode votar em setembro projeto sobre jovem infrator
O
substitutivo aos 19 projetos de lei que tratam do aumento de tempo de
internação do jovem infrator deverá ser votado pelo Plenário da Câmara
até setembro. Essa é a expectativa do presidente da comissão especial
que estuda o assunto, deputado Vieira da Cunha (PDT-RS).
O
parlamentar, que participou, nesta terça-feira, de videochat promovido
pela TV Câmara e a Coordenação de Participação Popular disse já ter
percebido consenso quanto a duas alterações no Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA - Lei 8.069/90): o fim da liberação compulsória aos 21
anos de idade e o aumento do tempo máximo de internação dos infratores.
Para
os crimes hediondos - como são os casos de estupro seguido de morte,
extorsão mediante sequestro com morte, assassinatos cruéis como essas
pessoas queimadas vivas - para esses crimes hediondos, eu não tenho a
menor dúvida de que a grande maioria da comissão vai aprovar o aumento
do tempo de internação, disse Vieira da Cunha em resposta aos
internautas que participaram do debate.
Hoje,
o ECA prevê tempo máximo de internação de três anos. As propostas em
análise na comissão ampliam esse período para 4 ou até 10 anos.
Ressocialização
Vieira
da Cunha concordou com alguns internautas que cobraram o cumprimento
efetivo dos direitos de crianças e adolescentes por parte do Estado e o
investimento na ressocialização do infrator.
A
legislação penal normalmente não resolve. São outras políticas que
resolvem: uma atenção maior à família, a cultura de paz na sociedade e o
acesso a uma educação de qualidade. Aí nós vamos à causa da
criminalidade e da violência. Mas, além de ir às causas, temos de também
tratar das consequências, senão as pessoas vão ficar cada vez mais
prisioneiras nas suas próprias casas.
Maioridade penal
Apesar
de a redução da maioridade penal não estar em análise na comissão
especial, Vieira da Cunha falou sobre o assunto e se manifestou
favorável a uma proposta (PDC 1002/03), em apreciação na Comissão de
Constituição e Justiça, que prevê a realização de um plebiscito sobre o
tema.
O
deputado classificou o sistema prisional brasileiro de depósito de
gente, caótico e falido. Vieira da Cunha reiterou que a análise de
mudanças no ECA será feita com base na realidade do país.
Temos
que legislar com os pés fincados na nossa realidade. Essas
manifestações populares são algo novo no ar que a gente ainda está na
expectativa de saber o que é isso e até onde vai nos levar.
No
videochat, os internautas também conversaram com o deputado sobre o
conteúdo de projetos específicos, a demora na tramitação de algumas
propostas no Congresso e as recentes manifestações populares.
Agenda
A
primeira reunião deliberativa da comissão está marcada para esta
quarta-feira (19). Diante da polêmica e complexidade do assunto, também
haverá audiências públicas em várias cidades, como São Paulo, Rio de
Janeiro, Porto Alegre e Salvador, a fim de colher a opinião da
população, de conselheiros tutelares, de juízes das varas da juventude,
entre outros.
O
substitutivo do relator, deputado Carlos Sampaio, do PSDB paulista,
terá foco nas medidas socieducativas previstas no Estatuto da Criança e
do Adolescente.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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