Projeto de monitoramento das fronteiras enfrenta falta de recursos
Participantes
da audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores e
Defesa Nacional (CRE), nesta quinta-feira (22), advertiram que os
recursos previstos para 2014, pouco mais de R$ 200 milhões, são
insuficientes para a continuidade do projeto do Sistema de Monitoramento
de Fronteiras (Sisfron).
O
general de divisão João Roberto de Oliveira, gerente do projeto,
informou que são necessários R$ 553 milhões no próximo ano, enquanto o
comandante do Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército,
general de divisão Antonino dos Santos Guerra Neto, afirmou que, com a
disponibilidade de recursos no patamar previsto para 2014, o projeto
levaria 60 anos para ser executado. Um sistema com esse prazo de
execução, na avaliação de Santos Guerra, seria quase inócuo.
Também
participante da audiência, o presidente da empresa responsável pela
integração do sistema, a Savis, Marcus Tollendal, identificou como
causa-raiz dos maiores fatores de risco futuro uma potencial falta de
priorização do projeto Sisfron. Mas Tollendal manifestou confiança de
que isso não aconteça, porque o projeto é aderente a várias diretrizes e
prioridades do governo.
O
presidente da CRE, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), questionou
Tollendal com números sobre o projeto. Segundo o parlamentar, em 2012, o
Exército pediu R$ 327 milhões, mas só conseguiu executar R$ 172
milhões. Em 2013, de uma solicitação inicial de R$ 876 milhões, o
Exército só foi atendido em R$ 240 milhões.
-
Como o projeto tem um custo estimado de R$ 12 bilhões em dez anos, sua
implantação demoraria décadas - disse o presidente da CRE.
Como
Ferraço perguntou se os números são falsos, Tollendal os confirmou, mas
os atribuiu ao fato de o projeto estar no início. Segundo ele, não
faltaram recursos até agora e a expectativa é de que não faltem no
futuro.
Contigenciamento
Questionado
pelo senador Delcidio do Amaral (PT-MS), João Roberto de Oliveira
explicou que mesmo os recursos de 2013, da ordem de R$ 240 milhões,
enfrentam contigenciamento: cerca de R$ 99 milhões estão bloqueados pelo
Ministério do Planejamento.
Delcidio
informou que, em audiência recente com a titular da pasta, Míriam
Belchior, solicitou a inclusão do Sisfron nas obras do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC), que não se sujeitam a contingenciamento
determinado pela equipe econômica.
Delcidio
explicou que o Sisfron tem ações preventivas e repressivas contra
delitos transfronteiriços, como contrabando de armas e munições, tráfico
de drogas, descaminhos e crimes ambientais. Com apoio em sistema de
sensoriamento (tecnologia de obtenção de imagens e dados da superfície
terrestre), dá suporte a decisão e atuação integrada dos órgãos
governamentais. O objetivo é fortalecer a presença e a capacidade de
ação do Estado brasileiro na faixa de fronteira terrestre.
Segundo
oo parlamentar de Mato Grosso - que faz divisa com Bolívia e Paraguai
-, cuidar das fronteiras deve ser uma prioridade nacional.
-
Grande parte dos problemas vividos por metrópoles distantes das
fronteiras, como Rio de Janeiro e São Paulo, decorre do que acontece na
divisa do Brasil com países vizinhos - acrescentou.
Questionado
pela senadora Ana Amélia (PP-RS), o general Santos Guerra disse que
Mato Grosso é, na faixa de 17 mil quilômetros de extensão que separa o
Brasil de 11 países vizinhos, o pior cenário de crimes como tráfico de
drogas. Por isso, foi selecionado no primeiro contrato para implantação
do Sisfron. Em seguida, o projeto se expandirá para a região do Paraná
conhecida como Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai).
Fonte: Senado Federal
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