Testemunha revela propina em cartel
Pela
primeira vez, ex-executivo da Siemens aponta, em depoimento, que houve
corrupção no caso envolvendo o setor metroferroviário
Um
ex-executivo da Siemens afirmou em depoimento ao Ministério Público que
houve pagamento de propina para beneficiar a empresa alemã e outroas
suspeitas de formação de cartel em licitações do sistema
metroferroviário paulista.
Até
então, havia só a admissão de um esquema de cartel para obter contratos
durante os anos de 1998 e 2008, sem a participação de agentes públicos
dos governos tucanos que se sucederam no comando do Estado.
O
depoimento foi prestado na quinta-feira passada por um dos seis
executivos que subscrevem o acordo firmado em maio com o Conselho
Administrativo de Defesa Econômica (Cade) na qual a Siemens admitiu o
cartel.
A
testemunha citou dados que podem mudar o cenário da apuração,
inicialmente restrita aos acertos prévios entre as multinacionais.
Segundo um dos integrantes da força-tarefa montada pelos Ministérios
Públicos Estaduai e Federal, o depoimento indicou coisas importantes.
O
conteúdo das declarações está em análise pelas autoridades. As
informações obtidas começaram a ser cruzadas com um inquérito policial
que contém dados de quebra de sigilo bancário de suspeitos.
Os
promotores têm ressaltado que não pretendem conduzir a investigação
exclusivamente direcionada para a composição de empresas e preços
ajustados à margem da Lei de Licitações. Eles suspeitam que o cartel não
teria obtido contratos vantajosos sem pagamento de propinas. Por isso,
insistem junto a testemunhas para que revelem pistas sobre a corrupção. O
depoimento da semana passada animou os investigadores.
Revelação.
O acordo de leniência, firmado em 22 de maio, prevê a revelação de
detalhes do cartel. Seis ex-executivos da Siemens se dispuseram a contar
o que sabem: Daniel Mischa Leibold, Everton Rheinheimer, Jan-Malte Hans
Jochen Orthmann, Nelson Branco Marchetti, Newton José Leme Duarte e
Peter Andreas Gölitz. A própria Siemens no Brasil e a matriz na Alemanha
subscrevem o acordo de leniência com o Cade.
No
âmbito do Ministério Público foram instaurados 45 inquéritos, relativos
a contratos da Siemens e outras 18 empresas que integrariam o cartel.
A
Polícia Federal também abriu inquérito criminal, mas estava encontrando
dificuldades para obter informações porque os lenientes queriam
restringir a colaboração à ação do cartel - nos termos do acordo firmado
com o Cade. A pedido da PF, a Justiça Federal autorizou o
questionamento dos lenientes sobre c orrupção. A Justiça decidiu pela
inexistência de sigilo para fins de apuração de crimes. Na prática, os
lenientes são obrigados a falar o que sabem, não podem alegar sigilo.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
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