C.FED - Deputada quer ampliação da assistência domiciliar para pacientes
A deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) defendeu, ontem (12), a ampliação da chamada atenção domiciliar em saúde. A
prática é utilizada para atender pacientes estáveis, mas que dependem
de aparelhos para sua sobrevivência e correm menos riscos de infecção se
forem tratados em casa. O tema foi discutido em audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.
Autora
do requerimento para a realização do debate, Gabrilli explicou que,
atualmente, a portaria do Ministério da Saúde que regulamenta a atenção
domiciliar só permite a ventilação não invasiva, ou seja, aquela que não
depende de traqueostomia (abertura de orifício na traqueia para
emergências e intubações prolongadas). É preciso tirar a exclusão da
ventilação mecânica invasiva da portaria. Isso tem que mudar para que a
gente consiga levar para casa esses pacientes que respiram no aparelho
24 horas por dia”, argumentou.
A parlamentar acrescentou que a atenção domiciliar permite uma melhor qualidade de vida aos doentes e a seus familiares.
Experiência local
No
Ceará, uma portaria estadual permite o atendimento em casa também para
os casos que necessitam de ventilação invasiva. Coordenadora do programa
de Assistência Ventilatória Domiciliar daquela unidade da Federação,
Cristiane Souza afirmou que, desde 2005, a
iniciativa possibilitou o retorno de 27 crianças e adolescentes para
suas casas. Ela explicou que o programa capacita a mãe desses pacientes
para realizar a manutenção dos equipamentos e que equipes
multidisciplinares realizam de duas a três visitas semanais às famílias.
A
gente sabe que pode reproduzir isso nos outros locais. Sempre digo: se o
Ceará faz por que os outros estados também não podem fazer? Estamos
usando as ferramentas que o hospital tem: profissionais, tecnologia e
parceira com a sociedade civil e as famílias, declarou Cristiane.
Proposta em estudo
O
coordenador-geral da Atenção Domiciliar do Ministério da Saúde,
Aristides de Oliveira, informou que a inclusão da ventilação invasiva
está sendo discutida pela pasta. Ele destacou que, como se trata de um
programa novo, com apenas dois anos de funcionamento, o ministério
decidiu que, em um primeiro momento, não seriam incluídos os pacientes
que precisam desse tipo de cuidado para que suas vidas não fossem
colocadas em risco.
Aristides
de Oliveira reconheceu que, apesar dos avanços, existem problemas que
precisam ser enfrentados para universalizar o atendimento domiciliar. A
dificuldade é montar a equipe, sobretudo a contratação de médico. Então,
vamos debater também a qualificação dos profissionais. A atenção
domiciliar é um tema novo e a gente carece ainda de discutir formações,
especializações.
Segundo
dados da Secretaria de Saúde do Ceará, cada paciente atendido em casas
custa R$ 300 por dia ao Sistema Único de Saúde (SUS). Já na Unidade de
Terapia Intensiva (UTI), a despesa média sobe para R$ 1,3mil.
As
equipes de atendimento domiciliar são compostas por médicos,
enfermeiros, fisioterapeutas e assistentes sociais. Atualmente, o
Ministério da Saúde conta com 276 equipes em 129 municípios.
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