Projeto amplia abrangência de compensação por uso de recursos hídricos
Os
municípios que forem indiretamente atingidos pela construção de
hidrelétricas podem passar a receber royalties das empresas responsáveis
pela geração da energia. O projeto (PL 4966/13) apresentado pelo
deputado Zé Geraldo (PT-PA) muda a legislação que está em vigor, que só
beneficia com os royalties os municípios que tenham as terras invadidas
pelas águas das barragens.
A
legislação atual (Lei 7.990/89) determina o pagamento de compensação
financeira pela utilização de recursos hídricos - de 6,75% sobre o valor
da energia elétrica produzida - pelo titular de concessão ou
autorização para exploração de potencial hidráulico a órgãos da
administração direta da União e a estados e municípios que abriguem
instalações destinadas à produção de energia elétrica, ou que tenham
áreas invadidas por águas dos respectivos reservatórios.
A
proposta, portanto, acrescenta os locais sob influência indireta de
impactos socioambientais entre os que devem receber a compensação.
O
parlamentar destaca que a presença de hidrelétricas também afeta
municípios vizinhos a elas, mesmo que não tenham o território alagado.
Segundo o deputado, muitas pessoas migram para as proximidades das
usinas a procura de melhores condições de vida.
Impactos
Na
avaliação do deputado, a redação atual da lei é “injusta”, pois “dentre
os impactos causados por uma hidrelétrica, pode-se destacar os
socioeconômicos, como, por exemplo, em áreas de transporte, habitação,
saneamento e saúde”.
Para
Zé Geraldo, esses impactos são provocados pelo aumento populacional
ocasionado pela proximidade do canteiro de obra ou pela migração em
busca de novas e melhores condições de vida nas cidades que estão em
áreas de influência indireta da hidroelétrica. “É notório que esses
impactos não se limitam aos municípios que terão áreas que sejam
alagadas ou que contenham instalações de geração, mas abrange toda área
influenciada diretamente ou indiretamente pelo empreendimento”,
destacou.
Belo Monte
O
deputado cita como exemplo a construção de Belo Monte, no Rio Xingu,
onde apenas dois municípios dos dez impactados receberão royalties das
águas, de acordo com a lei atual. “O que eu proponho é que os municípios
em torno de Belo Monte, mesmo os que não são impactados pelo aumento da
lâmina dágua, recebam a compensação de royalties porque eles são
impactados socioeconomicamente.
A
usina de Belo Monte está sendo construída na região de Altamira, no
Pará. O deputado Zé Geraldo afirma que, se seu projeto for aprovado,
também vai beneficiar municípios que ficam próximos às hidrelétricas que
já estão em funcionamento.
O
parlamentar destaca o valor que vai ser gerado pelos royalties da nova
usina. Belo Monte vai gerar, apenas para Altamira e Vitória do Xingu, em
torno de R$ 150 milhões em royalties/ano. E os outros municípios, mesmo
aqueles que estão no Rio Xingu, como Porto de Moz, Senador José
Porfírio e Anapu, não receberão nem um real desses royalties.
Tramitação
O
projeto tramita em caráter conclusivo junto com o PL 1616/99, que trata
da gestão administrativa e a organização institucional do Sistema
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. As propostas aguardam a
criação de uma comissão especial para analisar o mérito.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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