Barbosa diz que emendas aprovadas estão em desacordo com proposição do Executivo
O
secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou
que as alterações feitas pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado
Federal (CAE) ao projeto de Resolução que unifica as alíquotas do
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) serão
avaliadas pelo governo antes de uma nova rodada de negociações para a
aprovação da proposta no plenário da Casa. Segundo o secretário, as
emendas aprovadas nesta terça-feira (7) alteraram o acordo negociado
pelo Executivo durante a tramitação da proposta na CAE.
No
texto inicial, as transações com origem nas regiões Norte, Nordeste,
Centro-Oeste e no Espírito Santo com destino ao Sul e ao Sudeste teriam
alíquota de ICMS de 7% apenas sob os produtos industrializados. A CAE
ampliou o tributo também para comércio e serviços vindos dessas regiões.
“Não concordamos com essa extensão e ficamos surpresos, porque não foi o
apresentado no Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária)”,
ressaltou Barbosa, dizendo que o acordo foi feito com os próprios
secretários de Fazenda dos Estados.
Segundo
o secretário, a proposta de reforma do ICMS é uma oportunidade para
resolver de forma ordenada a questão da guerra fiscal. “Esses incentivos
são questionáveis do ponto de vista jurídico e criam incertezas para
empresas e para os Estados”, afirmou.
O
secretário comentou que os incentivos não aprovados pelo Confaz geram
incerteza jurídica e prejudicam os investimentos no Brasil. “Por esse
motivo, a União propôs uma transição gradual das alíquotas
interestaduais e a criação de dois fundos para auxiliar os Estados nessa
transição tanto do ponto de vista orçamentário quanto do econômico”,
disse.
Apesar
da pressão dos Estados do Sul e Sudeste, a CAE confirmou alíquotas de
ICMS de 12% para a Zona Franca de Manaus e outras nove Zonas de Livre
Comércio nos Estados do Amazonas, Rondônia, Roraima e Acre. A transição
das alíquotas para 4% será de oito anos, prazo mantido de acordo com a
proposta original encaminhada pelo Executivo.
Histórico
Inicialmente,
o governo propôs uma alíquota única de 4% para todas as operações
tributadas pelo ICMS entre os estados. Na semana passada, a CAE aprovou o
texto do relator da proposta de Resolução, Senador Delcídio do Amaral,
que reduzia de 12% para 7% as alíquotas de ICMS sobre produtos
manufaturados e agroindustriais oriundos dos Estados do Norte, Nordeste,
Centro-Oeste e Espírito Santo. Transações com origem no Sul e Sudeste e
destino para o Norte e Nordeste teriam alíquotas de 4%.
A
proposta feita pelo senador também manteve a alíquota de 12% para a
Zona Franca de Manaus e para as outras áreas de livre comércio da região
Norte. Estados do Sul e Sudeste brasileiro pressionaram os
parlamentares para reduzir essa alíquota para 7% argumentando que, sem a
alteração, haveria migração de atividades produtivas para essas regiões
e que a distorção entre as alíquotas da Zona Franca e dos demais
Estados aumentaria ainda mais. A proposta ainda precisa ser aprovada
pelo plenário do Senado.
Fonte: Ministério da Fazenda
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